Insurgente [Crítica]

“Alguém teve um grande orçamento”. Esta será a primeira ideia que vos passará pela cabeça assim que as primeiras imagens de Insurgente começarem a preencher o ecrã. Com 110 milhões de dólares para gastar, todos aguardavam que Insurgente aumentasse a espetacularidade da saga, ao mesmo tempo que entregava um produto de qualidade. A pressão era muita, mas será que Insurgente conseguiu suportar a mesma?

Insurgente segue, imediatamente, os eventos a seguir a Divergente. Tris encontra-se atormentada pelos eventos que ocorreram no primeiro filme, tentando lidar com questões como a mágoa e o perdão, a identidade e a lealdade, a política e o amor. Ao mesmo tempo, Janine lança a lei marcial e intensifica a sua perseguição aos Divergentes, esperando que um deles abra uma caixa misteriosa deixada pelos fundadores da sociedade.

Em primeiro lugar, quem vir Insurgente terá de ter a ideia bem definida de que perante si estará um filme direcionado para os jovens adultos. Não esperem encontrar uma obra prima neste filme.  A saga Divergente possui também um mundo muito próprio e os espectadores devem ir preparados para o aceitar. Tendo isto definido, poderá aproveitar tudo aquilo que o filme tem para oferecer.

Com todo o mundo já estruturado no primeiro filme, Insurgente tinha a oportunidade e o dever de expandir a saga, assim como desenvolver as suas personagens. No entanto, não é isto que acontece. Tal como o primeiro filme, foca-se demasiado no desenvolvimento de Tris e esquece-se das restantes personagens. É normal que Tris, sendo a personagem principal, sofra um maior desenvolvimento, mas as diversas personagens que constituem este universo nunca devem ser esquecidas. São estas que permitem um melhor e mais eficaz desenvolvimento de toda a história.

Outros dos problemas de Insurgente prende-se na história. Certas cenas parecem ocorrer de forma demasiado simplista. Falta a inclusão de obstáculos que permitem ao espectador vibrar. O argumento constitui, assim, o ponto fraco deste filme. Apesar de o mundo de Insurgente aparecer no ecrã de forma extraordinária, não sentimos que o mesmo é real, ao contrário daquilo que ocorria no primeiro filme. Fica a sensação de que se o ator abrir uma porta, entraremos numa parte do estúdio e não no mundo de Divergente.

Se o argumento constitui o ponto mais fraco de Insurgente, o elenco constitui o elemento forte deste filme. Todo o elenco entrega performances extraordinárias, em especial Shailene Woodley. Shailene provou porque é considerada uma das grandes atrizes desta nova geração, dando ainda mais integridade e profundidade a Tris. Existe uma cena em particular na qual Shailene tem que expor todas as fraquezas de Tris. Neste cena, sozinha, consegue apelar aos sentimentos do espectador de uma forma excelente. Theo James volta ao papel de Four com uma performance satisfatória (apesar de a química entre Four e Tris parecer, por vezes, forçada). Kate Winslet, Miles Teller, Octavia Spencer e Ansel Elgort completam este elenco com ótimas interpretações. Fica só a amargura de as suas personagens não terem sido aproveitadas da melhor forma.

Outro ponto forte de Insurgente está presente nos efeitos especiais. O filme não caiu no erro de explodir o ecrã, em todos os momentos. O orçamento elevado é visível, mas este é utilizado de forma inteligente e eficaz. Os efeitos apenas ajudam a completar cenas onde são necessários. Grandes parte destas cenas passa pelas de ação que se encontram ao mais alto nível.

A realização de Robert Schwentke é competente, mas existem momentos em que se questiona certas opções do cineasta. A banda sonora do filme volta a não conseguir dar uma identidade própria à saga. Nota-se um certo tom de “Tron o Legado” ao longo de vários momentos musicais.

Apesar das falhas de Insurgente, o filme consegue entregar um produto de entretenimento satisfatório, que irá agradar a todos os fãs. Apesar de não constituir nenhuma obra-prima, nem é essa a sua intenção, consegue apresentar um produto final ao nível das restantes sagas distópicas que ingressam, atualmente, o circuito de cinema.


Veredicto: 7/10

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