A morte do mercado nacional de Home Video

Há muito que é referido pelos colecionadores nacionais que o nosso mercado de Home Video se encontra numa morte lenta. No entanto, nenhuma colecionador gostaria de ver o mercado nacional desaparecer por completo. Mas, para isso acontecer, todos concordam que o mesmo deverá sofrer mudanças extremas.

As distribuidoras nacionais (especialmente a NOS Audiovisuais e a PRIS Audiovisuais, que controlam mais de 90% do mercado) não ouvem o consumidor. Estas distribuidoras lançam produtos sem a mínima preocupação de tentar perceber se aquele produto é mesmo o que o consumidor deseja adquirir ou não. Estas empresas estão a matar o mercado nacional e, por consequência, a prejudicar o seu próprio negócio. Tudo isto porque não querem ouvir o consumidor.

Ora, o consumidor nacional quer ser ouvido e deseja ver o seu mercado voltar aos tempos de glória. Assim, o Sétima Definição, seguindo o exemplo de um grande colecionado nacional – o Ricardo Rocha -, decidiu reunir os grande problemas do mercado nacional de Home Video e transmitir essa mensagem às duas principais distribuidoras nacionais, mencionadas anteriormente. Se vários colecionadores se juntarem e comunicarem às distribuidoras os vários problemas do mercado, estas poderão talvez perceber que para continuarem a sobreviver, terão de procederem a mudanças extremas no seu modus operandi.


O ESTADO DO MERCADO NACIONAL DE HOME VIDEO

  • Desprezo do Blu-ray
    • Apesar de o Blu-ray ser eleito pelos estúdios de cinema como o formato ideal para os lançamentos dos seus produtos, continua a existir um completo desprezo pelo mesmo no mercado nacional. Assistimos a uma diminuição cada vez maior do lançamento de títulos neste formato, para dar lugar à comercialização do já obsoleto DVD. Ora, os colecionadores nacionais desejam adquirir o filme na maior qualidade possível e, por isso, não irão comprar uma edição em DVD. As distribuidoras, ao diminuem o número de títulos neste formato, estão também a diminuir o seu volume de vendas;
    • Nos filmes independentes, a questão dos formatos torna-se ridícula. Não são lançados quaisquer títulos em Blu-ray. As distribuidoras continuam a inundar o mercado nacional com títulos independentes em DVD, desprezando, por completo, a preferência do colecionador pelo Blu-ray;
  • Preços Elevados
    • Como podem as distribuidoras pedir mais de 20€ por edições Blu-ray completamente simples, quando em muitos mercados europeus vemos essas edições a 15€ e com uma qualidade superior? Não é complicado perceber qual será a escolha dos consumidores aqui. Se as distribuidoras querem continuar competitivas no nosso mercado e atraír o colecionador português, precisam de fazer uma séria revisão nos preços das edições. Ou então, lançarem produtos com qualidade que justifiquem o preço mais elevado. A segunda opção, para os colecionadores, seria a ideal.
  • Falta de Qualidade nas Edições
    • O mercado encontra-se inundado por edições simples, sem qualquer tipo de cuidado na apresentação. Este problema não se encontra só no Blu-ray, mas também no DVD. Mas como o DVD já é considerado um formato em desuso, exige-se que o Blu-ray possua uma qualidade, minimamente, decente.
    • Como podem as distribuidoras exigir 20€/25€/30€/35€ por uma edição completamente simples em keepcase, sem qualquer tipo de slipcover? Um grande exemplo é o da Disney que, inicialmente, lançava edições com slipcover de altíssima qualidade e, atualmente, “manda” para o mercado edições apenas em keepcase. O pior acontece quando é exigido, no mínimo, 25€ pelas mesmas. Qual é o colecionador que pagará 25€ por esta edição simples, quando noutros mercados consegue, pelo menos valor, adquirir uma edição em Steelbook? Nenhum.
    • Como podem  as distribuidoras exigir esses valores tão elevados por edições onde até algo simples como o próprio papel das especificações parece impresso numa simples impressora pessoal? Este papel é, de facto, a única coisa produzida pelas distribuidoras nacionais e mesmo assim não há qualquer tipo de cuidado com o mesmo.
    • Os  discos importados, com os títulos dos filmes noutros idiomas, poderiam ser desculpados, se existisse o mínimo cuidado de entregar um produto com qualidade… Um produto com uma boa impressão da capa e uma boa slipcover a envolver a edição. Mas isso existe no nosso mercado? Não. E não há a preocupação das distribuidoras para inverter esse problema.
    • Quando nas raras vezes em que uma edição em Blu-ray vem, de facto, com uma slipcover (luva), a mesma apresenta uma qualidade deplorável na impressão e no acabamento final. O cartão utilizado assemelha-se a uma simples folha de papel que rasgará a qualquer momento. Acabamentos especiais como alto-relevo e efeito metalizado são inexistentes;
  • Falta de Edições de Especiais
    • Chegou a altura de as distribuidoras perceberem que, neste momento, quem alimenta o mercado do Home Video são os verdadeiros colecionadores pois são esses que desejam ter o filme em formato físico. O consumidor banal deixou, simplesmente, de comprar filmes. Muito devido à pirataria, mas não só. Ora, os colecionadores não desejam ver as suas prateleiras inundadas com edições em meras Keepcases (caixas de plástico). Desejam edições em Steelbook, Metalpack, Digibook e até algumas Edições Especiais de Colecionismo com figuras alusivas ao filme em questão.
    • É verdade que algumas edição em Steelbook/Metalpack são lançadas no nosso mercado, mas as mesmas chegam com uma qualidade duvidosa. Quando edição em Caixa Metálica são, por mero acaso, lançadas no nosso mercado, o que assistimos é a um desprezo pela preservação das mesmas. As edições são cobertas de cola para conseguirem suportar o papel das especificações. O que acontece é que, quando se tenta retirar este papel, torna-se impossível fazê-lo sem danificar o mesmo ou a própria edição. Existem soluções bem mais eficazes que já foram adotadas por outras países. No nosso país vizinho, a maioria dos Steelbooks são lançados com uma espécie de “papel caixa”, não existindo a necessidade de cobrir a edição de cola. O Steelbook apenas “pousa” nesta espécie de caixa e mais nada.
  • Inexistência de critérios de lançamentos
    • Qual é o critério que as distribuidoras utilizam para decidir que uma edição será lançada apenas numa mera Keepcase, com Slipcover, Steelbook… Na maioria das ocasiões, parece que não há um critério para isso. São lançados filmes sem qualquer tipo de sucesso comercial em Edições Especiais, enquanto que outros com bastante sucesso têm um tratamento horrível. Temos um exemplo recente do filme Vingadores: Era de Ultron. Ao nosso mercado apenas chegarão edições completamente simples. O que a NOS Audiovisuais (distribuidora do catálogo Disney) conseguiu com isto foi a fuga dos colecionadores nacionais para o mercado Espanhol. Pelo mesmo valor pedido aqui pela edição Blu-ray simples (25€), o colecionador consegue para a sua coleção uma edição especial em Steelbook.

A partir deste momento, a mudança está nas mãos das distribuidoras nacionais. Esta mesma mensagem será enviada à NOS Audiovisuais e à PRIS Audiovisuais, esperando que as mesmas transmitam algum feedback em relação à indignação partilhada pelos consumidores nacionais.

Assim que existirem desenvolvimentos em relação a esta notícia, os mesmos serão partilhadas pelo Sétima Definição.

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