O Caso Spotlight [Crítica]

Desde o inicio da produção cinematográfica que é comum a existência de filmes que circulem à volta de jornalistas, abordando todas as complexidades deste seu mundo e da sua profissão. No entanto, a grande maioria dos filmes cai sempre no “erro” de se focar demasiado em todo esse mundo jornalístico, esquecendo por completo todos os outros elementos que constituem a sua narrativa. O resultado é o afastamentos das audiência que não se interessem por este assunto.

Em O Caso Spotlight também existe uma abordagem do, digamos, “filme do jornalista”, mas há também uma clara preocupação em dar tanta ou mais atenção a todos os outros elementos da narrativa. E este, é um dos pontos mais fortes do filme. Sendo eu um não entusiasta do jornalismo, pensei, no inicio, que o filme me poderia desiludir um pouco por se centrar demasiado neste tema, esquecendo tudo o resto. No entanto, O Caso Spotlight conseguiu manter-me completamente interessado em todo o filme do inicio ao fim. Os elementos jornalísticos estão, obviamente, presentes no filme, mas a forma como são apresentados faz sentido. Não nos são apresentados como elementos que existem porque devem existir. A sua presença é lógica e, em muitos casos, é ela que permite o avanço da narrativa.

Sendo esta também uma história baseada em factos verídicos, nunca poderia explorar muito para além daquilo que, de facto, ocorreu. Claramente existe um sentimento de realidade, apresentado com nuances de documentário, mas o mesmo consegue entreter o espectador ao longo dos seus 120 minutos. Nunca o espectador se sentirá aborrecido. Muito pelo contrário… Sentir-se-á sempre envolvido na narrativa apresentada.

Para este envolvimento, muito contribuem as interpretações deste fantástico elenco. Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Brian d’Arcy James e todo o restante elenco dão-nos performances muito boas! No entanto, o grande destaque vai mesmo para Mark Ruffalo. Existe uma pequena cena que deixará qualquer um perplexo pela grandiosidade da sua performance. Percebe-se, assim, o porquê da nomeação do ator para o Óscar de Melhor Ator Secundário.

Quanto à realização de Tom McCarthy, não existe nada a apontar. O realizador apresenta-nos, como seria de esperar, uma narrativa visual excelente. A música de Howard Shore também é competente, reflectindo na perfeição o tom que o filme tenta transmitir.

No final de O Caso Spotlight, o espectador sentirá uma vontade imediata de o ver mais uma vez… E esse, penso eu, é o melhor elogio que um filme pode receber.


Veredicto: 9/10

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s