Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça [Crítica]

Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça. Um filme muito aguardado por todos. Um filme recebido com opiniões divididas… muitas delas negativas. Mas, afinal, o que levou este filme a gerar uma enorme polémica à volta do seu lançamento? É tão mau como os intitulados “críticos” têm vindo a enunciar? Ou estamos perante uma situação em que o passado dos filmes da DC não os deixa ver para além desse universo negativo? Ora, sou obrigado a afirmar que estamos perante a segunda hipótese.

Nos dias anteriores ao lançamento de Batman v Super-Homem, as primeiras críticas negativas começaram a surgir, deixando-me bastante receoso em relação ao que me esperava no dia 24. Estaria ao filme tão mau como diziam? No dia de lançamento lá me dirigi até uma sala de cinema para tirar as minhas próprias conclusões e, no final do filme, fiquei estupefacto com a quantidade de negativismo com que o filme tem sido recebido. Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça não é, de facto, o típico filme de banda desenhada. O filme pegou neste género e transformou-o em algo sóbrio e sério que assenta na perfeição no mundo cinematográfico da DC Comics. Poderei até afirmar que estamos perante o primeiro filme de banda desenhada direccionado especialmente para adultos.

No entanto, não se deixem enganar. As cenas de ação “típicas” de filmes de banda desenhada também estão presentes … não tratasse este filme do confronto dos dois maiores titãs da DC Comics. Mas, quando as mesmas não estão a ser reproduzidas no ecrã, o filme transforma-se numa espécie de thriller policial bastante bem articulado entre si, que consegue cativar o espectador em todos os momentos. Quando a ação, de facto, acontece, esta também se encontra ao mais alto nível. Batman v Super-Homem possui grandes momentos de ação, excepcionalmente bem elaborados, quer na batalha entre os dois heróis, quer na batalha final com Doomsday.

Este novo filme do universo cinematográfico da DC trouxe-nos também uma nova incarnação de Batman. Este era, aliás, um dos elementos aguardados com maior receio. De certo, todos nos lembrarmos das diversas criticas feitas a Ben Affleck quando este foi anunciado como sendo o novo Batman. E, onde estão essas criticas agora, assim como as pessoas que as fizeram? Lá, está. Ninguém sabe. Ninguém sabe pois não há qualquer tipo de critica que possa ser feita à performance do ator. Affleck entrega-nos a melhor encarnação cinematográfica de Batman/Bruce Wayne até à data. O ator conseguiu encontrar o balanço correto entre o vigilante e o milionário Wayne, tornando os dois incrivelmente fortes enquanto personagens.

De volta ao papel de Super-Homem/Clark Kent esteve Henry Cavill que voltou a repetir a excelente performance desempenhada em Homem de Aço. Infelizmente, de Homem de Aço, foi também herdado o desenvolvimento e a importância dada a Lois Lane. A interpretação de Amy Adams é muito boa (tendo em conta o material que recebeu) mas, mais uma vez, a personagem volta a não ter qualquer tipo de desenvolvimento significativo na história, ficando o seu papel reduzido a uma simples “donzela em perigo”.

Já Gal Gadot, tal como Ben Affleck, foi uma das maiores surpresas do filme. Todos os receios existentes em relação à sua Diana Prince/ Mulher Maravilha são desfeitos quando vemos a personagem em ação. Não nos poderia ter sido entregue uma encarnação melhor da heroína.

Com uma prestação “menos boa” esteve Jesse Eisenberg. Existem momentos em que o seu Lex Luthor consegue ser de alto nível, mas existem outros nos quais a personagem parece uma “mini” versão de Joker. Ao contrário de Ben Affleck, o ator não consegui encontrar o balanço certo para a personagem. Quanto ao restante elenco, todos encarnam os seus papeis de forma bastante satisfatória, entregando boas performances (destaque para Holly Hunter, Jeremy Irons e Diane Lane).

Para além do seu elenco, ninguém poderá negar que um dos pontos mais fortes do filme está na realização de Zack Snyder. O realizador volta a provar, mais uma vez, porque é considerado um cineasta que vive, essencialmente, do visual. Diversas foram em vezes em que me deparei com o pensamento “este plano é simplesmente lindo”. O guião elaborado por Chris Terrio e David S. Goyer também acompanham este sentimento de qualidade que todo o filme possui, assim como a banda sonora de Hans Zimmer e Junkie XL.

Por último, não nos podemos esquecer que para além do titulo ‘Batman v Super-Homem’, o filme também possui elemento de ‘O Despertar da Justiça’. Assim, o filme serve como “rampa de lançamento” para os filmes da Liga da Justiça previstos para 2017 e 2019. É neste filme que temos o primeiro contacto com os restantes membros da liga (Flash, Aquaman e Cyborg). Contacto esse que foi realizado de uma forma bastante inteligente e eficaz, deixando o espectador com uma enorme vontade de ver os próximos filmes do universo cinematográfico da DC Comics.

Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça representa, essencialmente, o amadurecimento dos filmes de banda desenhada. Zack Snyder não se limitou a reproduzir todos os elementos tão característicos deste género. Amadureceu-os, dando-lhes uma certa sobriedade e elaborando, ao mesmo tempo, uma obra do mais puro entretenimento que deixará qualquer fã do universo DC Comics satisfeito. 


Veredicto: 9/10

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