Capitão América: Guerra Civil [Crítica]

Capitão América – Guerra Civil segue os eventos a seguir a Vingadores – A Era de Ultron, ao mesmo tempo que tenta dar continuidade à narrativa de Capitão América: O Soldado do Inverno (não seja esta uma sequela desse mesmo filme). Assim, encontramos Steve Rogers a liderar a recente equipa formada de Os Vingadores, num esforço contínuo de salvaguardar a humanidade. Mas depois de outro incidente que envolve Os Vingadores e que resulta em danos colaterais, aumenta a pressão política para se instalar um sistema de responsabilização, dirigido por um membro do governo que supervisione e dirija a equipa.  O novo status quo divide Os Vingadores, cria dois campos – um liderado por Steve Rogers e pelo seu desejo de manter Os Vingadores livres para defenderem a humanidade sem interferência do governo e o outro por Tony Stark, que toma a decisão surpreendente de apoiar a supervisão e responsabilidade do governo.

A primeira coisa que sentirão ao sair deste filme é uma verdadeira divisão. Se entraram na sala quer a apoiar o lado do Capitão América ou o lado do Homem Ferro, sairão com diversas dúvidas. O filme não nos diz, diretamente, que determinado lado está correto e que o restante representa a pura maldade. Os dois lados apresentam argumentos bastante válidos que, tal como Os Vingadores, nos deixarão divididos. Este é, aliás, um dos pontos fortes do filme. Dá ao espectador a hipótese de escolher qual das equipas quer apoiar, ou até se não quer apoiar nenhuma. Para além disso, o filme não se limita a apresentar rapidamente os argumentos de cada lado para depois preencher o ecrã com exageradas explosões. Faz exatamente o contrário. As excepcionais cenas de ação estão presentes – com grande destaque para a épica cena do aeroporto (a melhor num filme de BD) – mas há uma lógica sequencial para a sua ocorrência. Percebemos perfeitamente os dois lados da batalha e o porquê do culminar dessa “discussão” ser aquele.

Para tal situação, muito contribuiu a excelente realização dos Russo Brothers, que voltam a reproduzir o seu grande trabalho em O Soldado do Inverno, deixando-nos ainda mais entusiasmados para a Infinity War – Parte 1 e 2. Joe e Anthony mostram que conseguem lidar com diversas personagens ao mesmo tempo, quer nas grandes cenas de ação, quer em momentos mais calmos de desenvolvimento de personagem. O filme, apesar do elevado numero de personagens que possui, nunca parece subpovoado. Claro que existe um enfoque especial em Steve Rogers, Tony Stark e Bucky (não se esqueçam que este é um filme do Capitão e uma sequela ao Soldado de Inverno), mas todos os restantes elementos do elenco possuem os seus devidos momentos.

Falando das personagens, teremos que abordar, obrigatoriamente, as duas novas adições aos Vingadores: Pantera Negra e Homem- Aranha. Quanto ao Pantera Negra, apenas elogios há a fazer. Chadwick Boseman é excelente no papel, dando-nos uma encarnação ideal da personagem. Quando ao Homem-Aranha de Tom Holland, o mesmo de verifica. O filho pródigo voltou à Marvel e em todo o seu esplendor. Estamos perante a melhor encarnação da personagem no cinema. Finalmente vemos o Homem-Aranha a interagir com os restantes Vingadores e a experiência não poderia ser melhor – há um completo sentimento de satisfação em todos os momentos, nos quais o aranhiço apareça no ecrã.

Se há um ponto franco a referir neste filme, esse será o vilão. Este tem sido o grande problema de quase todos os filmes da Marvel e, em Guerra Civil, mantém-se. Barão Zimo é o vilão deste filme e não poderia parecer mais deslocado. Ficamos a sensação de que tentaram encaixá-lo a todo o custo na narrativa, sem a mesma precisar dele. Percebemos as motivações de Zimo e o envolvimento que este possui na narrativa, mas fica a sensação de que este não seria necessário para o desenvolvimento da história que, de si, já possui diversas personagens a manipulá-la . Barão Zimo deveria ter sido guardado para um outro filme, onde a sua prestação seria mais notória. O claro enfoque que é dado a Steve Rogers, a Tony Stark, Bucky e à divisão entre os Vingadores faz-nos, até, esquecer, por momentos, que Zimo está no filme – o que é uma pena para Daniel Brühl. No final, fica só a esperança de ver o ator de voltar ao seu papel, num futuro filme, e da forma que merece.

Apesar de tudo, Capitão América – Guerra Civil é, sem dúvida, o melhor filme da Marvel até ao momento e um dos melhores filmes de banda desenhada. Constitui um produto da mais pura excelência, com um glorioso entretenimento cinematográfico. Os Russo Brothers trouxeram para este filme todos os elementos que adoramos em O Soldado de Inverno e a estes adicionaram a espectaculosidade que a narrativa de Guerra Civil possui por si só.


Veredicto: 9.5/10

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s