Em análise: O Primeiro Encontro, em Blu-ray

A Terra é invadida por uma espécie extraterrestre e pode estar iminente uma guerra de proporções nunca vistas. É então que Louise Banks, uma das mais conceituadas linguistas do mundo, é chamada a tentar uma abordagem amistosa com os invasores. Talvez ela, com a ajuda do matemático Ian Donnelly e do Coronel GT Weber, consiga encontrar uma linguagem que possa ser descodificada por ambas as espécies, criando uma ponte de compreensão mútua. Mas o risco de fracassar é elevadíssimo…

O Primeiro Encontro chegou ao nosso mercado no passado dia 23 de março com uma simplicidade impressionante. Sem qualquer tipo de edição “mais especial” para os colecionadores nacionais, a revolta instalou-se.


Apresentação (1/5)

Esta análise não poderia começar da pior forma. Um dos lançamentos mais aguardados do ano, chega-nos numa simples keepcase. Sem Caixa Metálica, nem qualquer tipo de tratamento especial, O Primeiro Encontro perder-se na banalidade de edições que no passado reinou o nosso mercado. Numa atitude sem explicação, a PRIS Audiovisuais enviou um dos filmes mais aclamados do ano para a mediocridade das edições.

 

Imagem (4/5) in Blu-ray.com

O Primeiro Encontro nunca será um dos melhores filmes visuais para mostrar toda as potencialidades do formato Blu-ray. A verdade é que a transferência que nos é apresentada tenta simplesmente replicar o estilo visual que o realizador idealizou para o seu filme e, nesse aspeto, funciona na perfeição. Nenhuma cor “salta à vista”, às exceção dos fatos laranjas utilizados pelas personagens e do ambiente verde e natural que os rodeia – mas essa foi a intenção do cineasta. Apesar de tudo, o detalhe da imagem consegue satisfazer. Os tons aparecem, constantemente, com uma falta de saturação, com os negros demasiado pálidos e os tons de pele “deslavados”. É também possível observar um pequeno ruído nas cenas que decorrem em ambientes mais negros e com pouca luz. Porém, nada disto poderá ser apontado com uma falha na transferência. O Blu-ray, como referido, limita-se simplesmente a replicar o filme idealizado por Villeneuve.

 

Som (4.5/5) in Blu-ray.com

Curiosamente, O Primeiro Encontro não teve direito a uma faixa em Dolby Atmos, o que, tendo em conta as particularidades e estrutura sonorosa da película, seria uma mais valia para uma melhor experiência sonora. No entanto, a faixa em DTS-Master Audio 7.1 lossless que nos é entregue nunca tem dificuldades em fazer justiça ao poder sonoro do filme. O som consegue ser manter sempre um nível impressionante no decorrer de todo o filme, com uma clara distinção entre todos os elementos sonoros que completam cada cena. A faixa acaba por fraquejar um pouco nos sons mais pronunciados, mas, em grande parte, consegue criar de forma espantosa uma perfeita imersão sonora. O diálogo surge claro, natural e sempre numa posição de prioridade.

 

Materiais de Bónus (5/5): 

Com os seus “condensados” 81 minutos de materiais de bónus, O Primeiro Encontro consegue humilhar as horas e horas de extras de grandes lançamentos mais recentes (estou a olhar para ti Batman v Superman). É verdade que não temos legendas no nosso português, mas as presentes em português do Brasil desempenham um papel mais que satisfatório.

– Xenoluinguística: Compreensão do Primeiro Encontro (30:02): o making-of do filme. A sua duração pode não parecer muito longa, mas, nestes 30 minutos, este “pequeno” vídeo consegue focar pontos fulcrais do filme. Desde a sua concepção inicial, escolha de realizador, atores ou até momentos de filmagens, tudo é abordado de uma forma bastante interessante.

– Assinaturas acústicas: O design do som (11:24): uma explicação aprofundada com o compositor Jóhann Jóhannsson de como a banda sonora para o filme foi composta. Há um especial enfoque na forma como Jóhannsson trabalhou com elementos sonoros pouco habituais para criar uma banda sonora que fosse, acima de tudo, diferente de tudo o que tinha sido idealizado até ao momento.

– Recorrência eterna: a pontuação (13.59): algo invulgar nos materiais de bónus que acompanham um filme – um video dedicado ao som e ao seu uso no filme. Não a banda sonora, o som. Aqui, é abordada a importância que este elemento adota e como o mesmo consegue navegar o espectador pela história. Por exemplo, a forma como o sons dos heptapods e das suas naves foi construído passa por um extensivo processo explicativo.

– Pensamento não linear: o processo de edição (11:19): para além de abordar todas as componentes que envolvem o processo de edição de um filme, este featurrete, através das palavras do próprio editor Joe Walker, exibe-nos a forma como foi construir a narrativa linear de O Primeiro Encontro e como os seus desafios foram superados.

– Principios de tempo, memória e idioma (15:24): um pouco desconectado da produção do filme em si, este vídeo aborda os conceitos de tempo, memória e idioma presentes, com um debate de vários especialistas.


Veredicto final (3.5/5): 

Em todos os aspetos, esta edição consegue atingir a perfeição. Com boa qualidade técnica e materiais de bónus excelentes, teria tudo para se tornar num dos melhores lançamentos do ano. Mas, infelizmente, a sua apresentação destrói todas as esperanças para tal. A mera keepcase que acompanha o filme, sem qualquer tipo de tratamento especial, envia esta obra prima para a escuridão do mercado nacional. Um filme destes merecia muito mais e é uma pena que a distribuidora não tenha compreendido isso.

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