Em análise: Guardiões da Galáxia – Vol.2, em Steelbook

Com os mesmos discos, o mesmo preço e uma apresentação, claramente, superior, os colecionadores nacionais foram obrigados, mais uma vez, por parte da NOS Audiovisuais, a desviar a sua atenção para o mercado espanhol. Guardiões da Galáxia – Vol.2, um dos lançamentos mais aguardados do ano, tornou-se também num dos mais frustrantes. Sorte a nossa que o mercado vizinho surgiu para salvar o dia.

Antes do início desta missão de salvamento, é necessário referir que a presente análise debate-se apenas sobre o disco Blu-ray, devido à falta de materiais necessários para a reprodução do Blu-ray 3D.


Apresentação (5/5)

É com uma bela embalagem Steelbook que o Blu-ray 3D+Blu-ray espanhol de Guardiões da Galáxia , Vol. 2 se apresenta. E a sua forma não se pauta pela banalidade. A acompanhar a bela arte escolhida temos acabamentos (muito bem conseguidos) de relevo e baixo relevo na capa, que escoltam o Bebé  Groot. Podemos também encontrar estes ornamentos nos parafusos presentes na embalagem, ao par de um efeito de baixo relevo no texto . A contra-capa da edição faz um jogo entre o brilho e o opaco – efeito esse também presente na capa. A arte interna escolhida para a edição também é algo positivo a exaltar.

Os pontos negativos deste Steelbook (tal como todos lançados pela Disney) encontram-se na lombada e nos discos. Quanto à lombada, o que mais irrita na mesma é a falta de padrão. Nuns lançamentos são apresentadas as personagens e no seguinte este padrão é abandonado para dar lugar ao vazio. Apesar da presença das personagens do filme não ser o ideal – o titulo é sempre preferível – continua a ser melhor que nada… e todos já nos habituamos (e aceitamos) esse design. Já os discos apresentam o típico azul padrão Disney, diminuindo o impacto visual do interior da edição.

Imagem (5/5)

Filmado digitalmente e com um suplemento visual digital pesado, Guardiões da Galáxia, Vol. 2 chega em Blu-ray com uma transferência incrivelmente limpa, texturizada e a “ferver” de cores. As texturas apresentam-se superiores na sua complexidade, com uma grande variedade de elementos digitais a surgirem em cena. Por exemplo, a pele de Drax destaca-se com as suas superfícies robustas e é possível identificar o pêlo de Rocket  fio por fio. As roupas, pele humana, interiores de naves e até exteriores de planetas exibem também uma elevada complexidade visual, que esta transferência consegue transmitir sem problemas. A própria paleta de cores do filme é riquíssima. Cada tom é vibrante, quer seja nos diversos adereços presentes nos personagens, quer seja nas várias nuances visuais das vários superfícies dos planetas presentes ou até do espaço sideral. A imagem entrega, acima de tudo, cores energéticas complexas. Os níveis de preto são também fortes. O ruído é algo inexistente nesta que é uma das melhores transferências apresentadas pela Disney.

 

Áudio (4.5/5)

Esta edição Blu-ray contém uma faixa DTS-HD Master Audio 7.1 lossless (na sua versão original), que é tudo menos desleixada. De facto, a faixa possui uma qualidade excelente constante, sem grandes falhas a destacar. A entrega musical é soberba. A variada banda sonora do filme desenvolve-se com uma amplitude consistente. As cenas de ação entregam o domínio esperado, com um poder impressionante e nada modesto, mas que não exagera. Os sons navegam livremente, mas de forma clara, pelo ambiente, combinando com os visuais exibidos. Cada cena de ação é impressionantemente rica e limpa, com os detalhes atmosféricos bem implementados e diálogos, quando surgem, naturais. O diálogo geral é claro e sempre detalhado, tomando uma posição prioritária em relação à banda sonora e aos sons circundantes.

 

Materiais de Bónus (2/3)

Decididamente a Disney apenas sabe produzir materiais de bónus competentes para Star Wars. Mais uma vez, à semelhança de passados títulos Marvel, foi produzida uma seleção demasiado limitada. Na sua reduzida hora de duração, os featurettes presentes transmitem-nos, contentemente, uma sensação incompleta.

– Como se Fez os Guardiões da Galáxia, Vol. 2 (37:39): este making of, que na verdade não o é, encontra-se dividido em quatro capítulos que, no decorrer da sua duração, vai explorando os bastidores do filme. No entanto, muitos elementos, como particularidades da construção da história ou até dos cenários, ficaram de fora. O verdadeiro ponto forte deste elemento são apenas as imagens de bastidores exibidas que transmitem  mais informações, que as declarações proferidas pelos intervenientes. O making of encontra-se dividido nos seguintes capítulos:

– Na Cadeira do Realizador com James Gunn:  um desenrolar de diversos elogios (e merecidos) ao realizador que, infelizmente, nunca entra numa expansão da sua visão para este filme.

– A música de Guardiões da Galáxia, Vol. 2: um segmento bem interessante, relativo às músicas escolhidas para cada cena do filme, acompanhado por uma explicação, por parte do realizador, relativa ao porquê da escolha de cada música. Porém a componente da partitura (do instrumental) foi demasiado condensada e nem declarações temos do compositor. Apenas o realizador fala, acompanhado de mínimas intervenções dos atores, entregando declarações muitos reduzidas.

– Planetas de Árvores: Os efeitos visuais do Volume 2: um featurette superficial e que deveria ser a estrela num filme tão dominado por efeitos visuais. Apenas existem uma mínimas menções ao processo de elaboração dos efeitos e de uma (sim uma) personagem digital – o bebé Groot.  Novamente, apenas as declarações do realizador entram em cena e, apesar destas serem bastante interessantes e de nos transmitirem os ideais presentes na sua mente para a concepção de cada cena e de que cada efeito visual, fica a faltar a perspetiva de quem, realmente, executou essa tarefa.  A visão desses artistas dar-nos-ia a sensação de visualização de um verdadeiro making of do filme.

– O elenco de Volume 2: uma passagem por tudo aquilo que caracteriza o elenco do filme (principalmente elogios), mas que não adiciona nada de extraordinário a este fraco making of.

– Vídeo musical “Guardians Inferno” (03:35)

– Erros de gravação (03:41): apenas os típicos bloopers encontrados em todos os lançamentos.

– Cenas eliminadas (05:04): quatro cenas estão presentes neste segmento, o que nos leva a acreditar que tudo aquilo que foi filmando encontra-se, de facto, no produto final. Por consequência, o que foi introduzido nesta edição são apenas extensões de momentos já presente no filme, que nada de novo acrescentam. Compreende-se, assim, a sua eliminação. As cenas incluídas são as seguintes: “Groot adolescente”; “Em memória da guerra em Xandar”; “Kraglin e Quill falam em Tunes” e “A tristeza de Mantis e Drax”.


Veredicto Final (4/5)

A única razão pela qual esta edição não leva a nossa recomendação total está, mais uma vez, presente nos materiais de bónus. Longe está a era em que a Disney colocava em todos os seus lançamentos horas e horas de extras, com elementos visuais que, de facto, nos levavam numa verdadeira viagem aos bastidores do filme em questão. Atualmente, parecem fazer apenas uma seleção superficial de materiais que poderiam, perfeitamente, ser lançados para promover o filme nos cinemas – não revelam nada de nada. Apesar de tudo, não podemos deixar de recomendar esta edição pela sua extraordinária apresentação em Steelbook e a excepcional transferência de imagem e som. É, sem dúvida, uma mais valia, e a opção certa para este lançamento, comparativamente, às edições que recebemos no nosso mercado.

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