Em Análise: Mulher-Maravilha, em Steelbook

Poder. Coragem. Maravilha. Estas são as três palavras que descrevem esta icónica personagem da DC Comics que, recentemente, teve a sua adaptação para o grande ecrã. Agora, com a sua chegada à casa dos espectadores, será que estas mesmas três palavras poderão ser utilizadas para descrever este seu lançamento ou haverá algo diferente a pronunciar?

Antes de tudo, é necessário referir que a presente análise debate-se apenas sobre o disco Blu-ray, devido à falta de materiais necessários para a reprodução do Blu-ray 3D.


Apresentação (5/5)

Se é verdade que colecionadores como eu ficaram um pouco desapontados pela falta de um Digibook para o lançamento deste grande filme, quebrando com o padrão da nossa coleção de filmes da DC, também é verdade que ninguém pode negar a beleza do Steelbook que recebemos. A acompanhar uma ótima escolha de arte – tanto para a capa, contra-capa e interior – temos detalhes complementares que auxiliam na forte componente estética desta edição. A um acabamento “fosco” (na sua maioria) foi utilizado um contraste de brilho na capa, fazendo sobressair elementos como o título e o logótipo de Mulher-Maravilha. Em adição, este logótipo encontra-se com relevo, sendo que todos os itens frontais estão contido dentro de uma moldura que dá uma acabamento clássico, mas também intemporal, a este Steelbook . Os discos da edição possuem uma arte simples, ostentando apenas o logótipo do filme, mas que, com o jogo de cores utilizado, ajudam a completar o todo.

Se há algum ponto negativo a apontar, este não vai para a edição em si, mas sim para o papel de especificações. Depois de muito tempo a tratar este elemento informativo da forma correta, a distribuidora resolveu adicionar uma cola horrível para prender o mesmo à edição, resultando numa possível danificação da mesma. Quando é aberta pela primeira vez, não existe qualquer problema, uma vez que este papel vem colocado no plástico. Porém, caso o queiram manter junto do Steelbook, poderão arriscar-se a produzir danos no mesmo, já que a cola utilizada não sai com facilidade. Só cobrindo-a com algo poderá resolver a situação.

Imagem (4.5/5)

A transferência 1080p, com uma codificação MPEG-4 AVC, fornecida pela Warner Bros. consegue satisfazer, sem grande problema, os mais ávidos críticos visuais – algo que já seria de esperar numa época em que o HD se transformou no formato padrão e se começa a migração para o 4K. No entanto, ficamos com a sensação que existem alguns elementos que poderiam ter sido melhorados. Parte da culpa para estas “fragilidades” deve-se à capacidade do disco Blu-ray em si e à quantidade de elementos que a Warner colocou no mesmo. Com apenas 50GB disponíveis, a distribuidora disponibiliza um filme com mais de duas horas, diversas faixas áudio (estando o som original numa das mais altas qualidades) e ainda diversas horas de materiais de bónus. Talvez se tivessem colocado os extras num disco separado estes pequenos problemas de imagem pudesses ter sido evitados. Mas passemos à critica em si…

Mulher-Maravilha apresenta uma paleta de cores que auxilia na narração do enredo e que poderá ser dividida em dois grandes momentos. Temos o decorrer dos acontecimento na Themyscira onde somos, constantemente, atacados por cores brilhantes e saturadas. No entanto, esta força de cor existente resulta e os detalhes presentes na mesma são impressionantes. Esta transferência consegue replicar, sem grandes problemas, os elementos naturais das paisagens presentes, fazendo com que estes ganhem vida no ecrã.  Ao abandonar este local paradisíaco, o filme entra num novo mundo de cor. Ou melhor, entra num mundo de ausência de cor. Da vibrante Themyscira passamos para a escura e suja Londres e para os campos de batalha. E é neste segundo segmento que alguns problemas começam a aparecer na transferência. Se as cenas diurnas partilham a mesma qualidade e detalhe de planos na ilha paradisíaca, os acontecimentos noturnos já não gozam do mesmo. Há algum ruído que sobressai nestes momentos menos iluminados, acompanhado por alguma perda de detalhes que perturba a visão do espectador. Este é o exemplo de cenas como a viagem de barco com Diana e Steve, onde pouco detalhe existe. Em relação aos elementos CGI do filme, estes aparecem bem renderizados, misturando-se, sem qualquer perturbação, com o ambiente e personagens reais. De referir ainda que existe um pequeno ruído constante ao longo de todo o filme, mas este não perturba em nada a imagem – ajuda até a atribuir-lhe um elemento de realidade. Percebe-se que o mesmo foi adicionado, intencionalmente, para alguma textura aos planos.

Som (5/5)

Com uma faixa áudio (na sua versão original) em Dolby Atmos, Mulher-Maravilha consegue entregar uma experiência sonora mais que satisfatória. Os sons surgem sempre claros e com uma amplitude impressionante, até em equipamentos sonoros mais limitados. A faixa ganha força, quando assim lhe é pedido, sendo que nos momentos de maior ação domina por completo o espaço, permitindo uma imersão sonora total do espectador. No entanto, fá-lo sem menosprezar o detalhe. Todos os vários elementos sonoros presentes surgem sempre distintos entre si, com uma clareza extrema e separados pelos vários canais que o Dolby Atmos proporciona. Mesmo nos momentos mais calmos, o áudio brilha, com os diálogos sempre claros e a dominarem toda a cena, acompanhados, caso existam, por diversos sons ambientes – ou até música –  que os complementam.

Materais de Bónus (3/5)

Parece uma tendência dividir agora os materiais de bónus das edições em dois segmentos: um que detalha os bastidores do filme e um outro que “agarra” nos temas da peça cinematográfica em questão e os expande para outros campos, fora do universo da produção. Ora, é isso mesmo que acontece com este disco de Mulher-Maravilha. Das duas horas anunciadas, apenas 1h-1:30h do conteúdo representa os verdadeiros bastidores. Por consequências, muitos detalhes ficaram de fora desta edição, como a abordagem à banda sonora e até aos efeitos visuais. De referir ainda que, mais uma vez, como é hábito com a Warner, nenhum material de bónus se encontra legendado em português.

– Epilogo: A Visão de Etta (02:41): uma pequena cena extra do filme que, muito provavelmente, foi construída para uma inclusão da mesma nos créditos finais – existe até um pequeno Easter Egg para o filme da Liga de Justiça. No entanto, a cena nunca apareceu nos cinemas e terminou como extra desta edição.

– Criando a Maravilha (16:26): através das palavras da realizadora Patty Jenkins, Gal Gadot, produtores do filme e até do Diretor de Fotografia, somos guiados pelos bastidores da conceção da história, estilo de imagem adotado, cenários e até guarda-roupa de Mulher-Maravilha. Essencialmente, esta é uma abordagem a como o mundo da heroína da DC foi construindo e como Patty Jenkins foi crucial nessa tarefa.

– A Visão da Realizadora: um segmento divido em cinco capítulos, onde conseguimos ver, verdadeiramente, a paixão que Patty Jenkins sente por este mundo e como esta estava determinada em construir uma peça cinematográfica perfeita. Este é o featurette mais interessante de toda a edição. Sentimos que estamos a realizar uma viagem aos bastidores com a própria realizadora ao nosso lado.

– Themyscira – A Ilha Escondida (04:56): como a visão para a Themyscira foi idealizava e como isso se concretizou no filme, através da conjugação de cenários reais  com elementos digitais.

– A Batalha na Praia (04:56): Patty conta-nos a história de como esta sequência foi construída e o porquê de cada elemento presente e das suas opções tomadas – existe até uma justificação para o uso do slow motion durante a cena. Ocorre ainda uma referências a algumas curiosidades, relativas aos elementos técnicos necessários para a execução destes minutos em filme.

– Uma foto pelo tempo (05:07): aqui entramos não numa completa explicação sobre a história desta foto em particular (que já apareceu em Batman v Super-Homem), mas sim no processo através do qual a mesma foi elaborada para o filme. Isto é, somos levados a conhecer como a fotografia foi produzida recorrendo a meios ancestrais de impressão em vidro e não através de uma tecnologia atual qualquer.

– Diana no Mundo Moderno (04:39): uma ligeira abordagem ao contraste cómico contido, relativamente, à disparidade existente entre o mundo no qual Diana vivia e aquele que encontra à chegada a Londres. Existe também uma pequena menção, nos momentos finais, aos locais reais utilizados para as cenas que decorrem após a chegada de Diana e Steve a Londres.

– Mulher-Maravilha em Guerra (05:03): um grande enfoque em como Gal Gadot realizou grande parte das suas cenas que decorreram em pleno palco de Guerra e de como foi importante esta abordagem realista para o filme.

– As Guerreiras de Mulher-Maravilha (09:53): apenas uma montagem dos treinos por que todas as atrizes que interpretaram as Amazons passaram.

– A Trinidade (16:05): uma abordagem a como a Trinidade da DC – Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha – surgiu e o porquê de existir uma química excelente entre os três. Estando este conteúdo inserido num lançamento de Mulher-Maravilha, há um enfoque especial no que esta personagem traz para este trio.

– A Maravilha por detrás da câmara (15:34): um olhar às diversas mulheres que estiveram presentes na equipa de produção do filme e quais as características-chave que trouxeram para esta película.

– Encontrar a nossa Mulher-Maravilha interior (23:08): um conjunto de entrevistas a diversas personalidades (a grande maioria exterior ao filme), nas quais estas debatem aquilo que caracteriza a personagem Mulher-Maravilha e como esses elementos poderão ser transportados para a sociedade atual.

– Cenas eliminadas: nada de especial encontrarão aqui. Apenas pequenas extensões de cenas já presentes no filme, que nada de novo adicionam. Podem contar com os seguintes momentos: Viagem de barco (03:37); Nas compras (02:07); No parlamento (01:13); Manhã na estação de comboios (01:13) e O Charlie nunca dorme (0:54).

– Cena alternativa: Caminhar na Terra de Ninguém (01:04): Uma cena eliminada que teve o seu próprio espaço, mas que, à semelhança das anteriores, não adiciona nada à narrativa da película.

– Bloopers (05:37): o extra habitual, com os erros de gravação. Mas isso não quer dizer que seja inferior aos restantes. É sempre bom acabar esta maratona de materiais de bónus com um momento descontraído.


Veredicto final (4.5/5)

Um grande filme, merece uma grande edição! E foi mesmo isso que Mulher-Maravilha recebeu. Um Steelbook belíssimo, com uma qualidade de imagem boa e som extraordinário. Porém, a tendência de muitos lançamentos atuais mantém-se e esta edição peca, ligeiramente, nos materiais de bónus. Se existisse uma abordagem mais profunda aos mesmos, estaríamos perante uma edição perfeita. Apesar de tudo, não tenho como não recomendar esta edição. Todos os colecionadores a deverão ter nas suas coleções, caso desejam ter na sua posse este novo clássico de BD.

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