O que significará o lançamento de Carros 3 para o futuro do mercado nacional?

Com a falta de uma edição Blu-ray para o filme Carros 3, muitas foram as dúvidas que se levantaram junto dos colecionadores nacionais. Poucos pareciam compreender o porquê de uma falha tão grave. Pior, sendo este um lançamento Disney, um estúdio que desde sempre impulsionou o Blu-ray, até em mercados pequenos como o nosso, a ausência desta edição parecia algo ainda mais impensável. Mas, então, afinal, o que se terá passado aqui? E o que significará este momento para o futuro de todos os lançamentos da Disney?

Decorria outubro, quando fomos surpreendidos pela notícia de que Carros 3 seria apenas lançado em DVD. Nesse momento, muitos consideraram que aquele anúncio inicial se encontrava incompleto e que, eventualmente, o Blu-ray seriam adicionado a este filme. Porém, dias depois chegou a confirmação, por parte da NOS Audiovisuais, de que Carros 3 não teria mesmo direito a edição em Blu-ray.

Perante isto, parti à procura de opções em mercados internacionais, uma vez que queria dar a todos os leitores do Sétima uma solução para este grave problema. Porém, à medida que a pesquisa se intensificava, apercebi-me de algo muito grave: nenhuma edição, em nenhum mercado parecia conter áudio e legendas em Português. Mais estranho ainda era a ausência de opções no nosso idioma na vizinha Espanha. Desde sempre que todos os lançamentos Disney são contemplados com os mesmos discos para os dois países e, desta vez, tal não acontecia. Porquê?

Bem, a justificação chegou umas semanas depois, já após o lançamento nacional de Carros 3 a 15 de novembro. Em comunicado, a NOS Audiovisuais revelou que a Disney Internacional tinha decidido não incluir as opções em Português em nenhum dos discos disponibilizados para os vários mercados internacionais. Mas há mais (e pior)… com estas declarações fiquei também a saber que foi, aliás, emitida uma ordem de proibição por parte da Disney, junto da NOS, não deixando a distribuidora disponibilizar uma edição em Blu-ray no nosso mercado. A NOS foi ainda mais a fundo na questão referido que até havia vontade por parte da distribuidora em disponibilizar esta edição em alta definição (muito provavelmente devido aos bons resultados do filme nos cinemas), mas tal não lhes foi permitido. Porquê? No momento em que parecia que, por fim, as respostas para esta situação estavam a chegar, mais questões surgiam. Perante isto, questionei mais uma vez a NOS, de modo a perceber as razões para uma atitude tão extrema por parte da Disney. A resposta ainda não chegou…

Mas, o grande problema que se impõe neste momento é o que toda esta situação significará para lançamentos futuros? Estará a Disney a considerar que a dimensão pequena do nosso mercado já não justifica o investimento em edições em alta definição? Estaremos entregues ao DVD em todos os novos lançamentos da casa do Mickey?

Bem, só o futuro o dirá, mas considero que a situação não chegará a esses extremos. Na minha perspetiva, esta atitude nada mais foi que uma consequência de maus lançamentos passados (principalmente os de animação). Exemplos como o lançamento do Steelbook de À Procura de Dory, que todos se lembram pela desgraça que foi, poderão estar na origem desta decisão. Mas aí, a única culpada é a distribuidora e o próprio estúdio, que não se preocupa em garantir que os seus produtos chegam nas melhores condições ao consumidor. Se as edições chegassem  ao mercado com conteúdo e apresentação semelhantes a outras existentes lá fora – e a um preço justo – existem muitos colecionadores dispostos a investirem cá. Falo por mim… se existir uma opção portuguesa que me dê tudo a que tenho direito, nem penso em olhar para mercados internacionais. Agora, enquanto as distribuidoras continuarem com atitudes de completo “gozo” para com os seus consumidores, não esperem que os vossos produtos vendam.

O grande problema disto tudo é que, em última instância, somos nós – colecionadores – os prejudicados. Como o Blu-ray não vende cá, porque não é disponibilizado nas suas melhores condições, partimos para outros países, provocando, por consequência, uma queda enorme das vendas nacionais – de um mercado que, por si só, já é mínimo – e um afastamento do investimento dos estúdios. Este é um circulo vicioso que, dificilmente, terminará, se medidas concretas não forem tomadas. Começando por uma maior transparência entre distribuidora e colecionador/consumidor. Sei que os grandes da distribuição podem não ler isto, mas, se o fizerem, procurem ver o que, de facto, o mercado pede. Não se limitem a mandar coisas cá para fora só porque sim. É verdade que a sobrevivência do nosso pequeno/grande mercado depende de todos os envolvidos, mas o primeiro passo deverá ser tomado por quem tem um maior peso nas decisões. Que tal partir daí?

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