Em Análise: Baby Driver, em Steelbook

Baby Driver tem hoje o seu lançamento simples a ocorrer no mercado nacional. Mas, como não queremos continuar a compactar com as práticas irracionais das distribuidoras, encontramos no mercado vizinho uma edição digna de ser analisada. Falamos, claro, do Steelbook Espanhol do filme disponibilizado, em 4K Ultra HD+Blu-ray, há umas semanas atrás…


Apresentação (3.5/5)

Com um acabamento simples, sem qualquer elemento desta edição metálica em destaque, o Steelbook de Baby Driver poderá passar um pouco despercebido pelo mundo do colecionismo. Porém, como qualquer colecionador concordará comigo, um novo Steelbook para a coleção nunca é negado. E, como tal, esta deveria ser a edição certa a chegar ao nosso mercado.

Apesar de tudo, não se deixem enganar… Pode não ser especial, mas a arte do Steelbook é apelativa. O grande problema é que constitui apenas uma escolha segura, dentro do material promocional criado para o filme. Algo mais “artístico” beneficiaria bastante a falta de acabamentos na edição.

Como ponto positivo fica a inclusão do disco 4K, para além do Blu-ray normal, preparando já os colecionadores para este novo formato que promete tornar-se no novo standard do cinema em casa. É verdade que este disco em particular não se encontra legendado em português, ao contrário do Blu-ray, mas para mim isso não constitui qualquer entrave.


Imagem (3.5/5)

Uma transferência banal. Baby Driver chega em Blu-ray com uma imagem que, apesar de satisfatória, não traz nada de inovador. Como peça de entretenimento funciona bem, mas este não será o melhor disco para exibir todas as potencialidades do formato. O 4K poderá, eventualmente, corrigir essas “falhas” mas, como não possuo equipamento para o comprovar, ficou de fora desta análise.

Mas, em que é que esta transferência peca mesmo? Bem, apesar de em certos momentos conseguir captar os detalhes presentes, existem outros em que a imagem aparece, ligeiramente, “fragmentada”. Por exemplo, as cicatrizes na cara de Baby e as suas texturas faciais e de guarda-roupa representam momentos em que esta transferência brilha mas, ao mesmo tempo, carros em movimento ou fachadas de edifícios surgem com fracas texturas e, por vezes, com um efeito “turvo” na imagem. Quanto à paleta de cores do filme, esta renega a saturação, desviando-se para um tom um pouco “deslavado”, existindo apenas instantes mínimos, como o carro vermelho na cena de abertura, em que mostra a sua posição de destaque. Os negros também surgem fracos, com demasiadas tonalidades cinza, e vitimas de diversos problemas de ruído. Como consequência, cenas noturnas exibem um fraco detalhe.


Som (4/5)

Como já, infelizmente, se tornou tradição em lançamentos da Sony, a versão Blu-ray de Baby Driver recebeu apenas uma faixa Lossless DTS-HD Master Audio 5.1 (na sua versão original), enquanto que o áudio em Dolby Atmos continua como exclusivo do 4K Ultra HD. Apesar de tudo, a faixa em 5.1 entrega uma qualidade auditiva satisfatória. Porém, fica a sensação de que algo superior poderia elevar ainda mais o conteúdo sonoro do filme (algo que o Dolby Atmos muito provavelmente alcança no disco 4K).

Apesar de tudo,  a banda sonora presente – o grande motor que faz este filme mexer – envolve o espectador do início ao fim, com as vozes e os detalhes instrumentais a emergirem, individualmente, de cada coluna e com uma apresentação harmoniosa. Esta é uma qualidade que assenta muito bem no domínio musical da película e que permite uma maior imersão do espectador. Abandonando um pouco a força musical, efeitos sonoros, como os tiros das armas, surgem com uma profudindioade sonora satisfatória, quer sejam representados por disparos à distância, ou por planos mais aproximados da sequência. A grande força sonora do filme está presente no ato final, onde este aumenta, consideravelmente, a sua intensidade de uma forma excepcional. Quanto ao diálogo, este surge sempre detalhado e numa posição prioritária aos restantes elementos sonoros.


Materiais de Bónus (3/5)

Parece que a norma agora é a não inclusão de legendas em português nos materiais de bónus e, Baby Driver, é um forte seguidor dessa tendência. É apenas com legendas em Inglês e em Espanhol que se apresentam as opções especiais neste disco (e em todos aqueles disponíveis no mercado europeu). Opções essas que, apesar de positivas em alguns pontos, ficam um pouco aquém do esperado. Mais uma vez, temos materiais que nada mais parecem do que peças promocionais divulgadas para a promoção do filme nos cinemas. Existe muito detalhe de bastidores que ficou de fora e isso, em última instância, retira valor à edição. Perante isto, parece quase uma “piada” a pequena introdução que a Sony agora adiciona, antes do Menu do disco, a promover os materiais de bónus presentes, incentivando o espectador a espreitá-los…

– Por Detrás das Câmaras: representa um conjunto de seis featurettes que pouco nos deixam ver. É verdade que, ao longo dos seus mais de 45 minutos são exibidas imagens muitos interessantes dos bastidores, mas a informação adicional transmitida é muito escassa. Mais se assemelha a um B-Rool que, para não conhece, representa um vídeo com um conjunto único de diversas imagens de bastidores captadas no decorrer na rodagem de um filme.

– Esse é o meu bebé – Edgar Wright (09:18): o realizador, Edgar Wright, explica como a ideia para o filme surgiu e qual o processo desde a concepção inicial da ideia, culminando com a execução do filme em si. Algumas intervenções de diversos membros do elenco, assim como da equipa técnica do filme vão também surgindo, exaltando a visão e paixão única do realizador, perante o cinema e este projeto.

– O Mozart do Kart – Ansel Elgort: um conjunto de imagens com o “treino” a que o ator foi sujeito para conseguir executar a maioria das acrobacias de carros no filme.

– Preciso da Música Certa – A banda sonora (06:14): como seria de esperar, um pequeno segmento refente à musica não poderia faltar nesta edição, uma vez que este é o principal elemento que conduz grande parte da narrativa do filme. Porém, para algo tão importante, pouco tempo é atribuído, caindo, assim, no espectador uma abordagem bastante acelerada e resumida do tema.

– Conhece a Nova Equipa – O Gang de Doc (10:55): O elenco de Baby Driver entra em cena para descrever as personagens desta história. Nada mais, nada menos. Esta é apenas uma peça descritiva.

– Encontrar Algum Funk na Coreografia (06:08): Este elemento quase que parece uma peça constitutiva do featurette relativo à banda sonora. Porém, os dois, por alguma razão, foram separados em dois segmentos distintos. Mesmo assim, aqui é abordado como o próprio ritmo da música presente no filme definou a construção e a execução de diversas cenas – como as mesmas decorrem ao ritmo da música. É um momento interessante o qual, após a sua visualização, nos faz estar ainda mais atentos a este “jogo” audiovisual presente no filme.

– O Diabo Atrás do Volante – As perseguições de Carro (06:46): Ficou a faltar uma verdadeira demonstração de como estas cenas foram, de facto, executadas durante a rodagem do filme e não com CGI. Existem algumas menções a essas opções tomadas, e até alguns exemplos dados, mas a natureza deste feito “único”, na era que os grandes blockbusters são construídos no digital (através de um computador), merecia algo muito mais detalhado.

– Cenas eliminadas e alargadas: 20 minutos são prometidos para estes momentos extra mas, destes, não existe nada que se destaque. Esta apenas consiste numa compilação alargada de alguns momentos musicais do filme. Nada de novo acrescentam à narrativa, não se sentindo a sua falta na versão final do filme. Estão presentes as seguintes cenas: Primeira Perseguição (00:47); Dança na Cozinha (02:41); Questões (01:20); Lavandaria (01:37); Pizza! (01:20); Bacchanalia (01:25); Posto de Abastecimento (02:00); Polícia e Ladrões (02:18); Perseguição a Pé (00:46); Faixa de Morte (04:08) e Atrás das Grades.

– Cenas animadas: constituem um conjunto de animações de algumas cenas do filme, em storyboard. Dá-nos uma pequena perspetiva de como a construção das grandes cenas de ação se processa, mas falta algo adicional para que essa informação fique, de facto, solidificada para quem não conhece o tema.

– Ensaio e Pré-Produção: algo invulgar e que não vemos na grande maioria das edição lançadas para o mercado. Este é um conjunto de vídeos, com o seu segmento próprio, em que nos são apresentadas algumas fases da pré-produção de Baby Driver. Porém, a seleção dos momentos exibidos é limitada. Inclui: Audição de Ansel Elgort (04:39); Ensaio da cena de abertura (03:27) e Teste de cabelo maquilhagem e guarda-roupa do elenco (08:56).

– Vídeo Musical

– Galeria de Storyboards 

– Trailers e Materiais Promocionais

– Comentários áudio 



Veredicto Final (3.5/5)

Apesar dos altos e baixos demonstrados por esta edição, não posso deixar de a recomendar a todos aqueles que desejam adicionar este belo filme às suas coleções. Os materiais de bónus podem não ser os melhores e a apresentação da edição, apesar de boa, pode não ser excepcional, mas não há como negar que um Steelbook terá sempre um valor superior à simples keepcase portuguesa disponibilizada.

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