Em Análise: Dunkirk, em Digibook Blu-ray

Dunkirk, o mais recentemente filme de Christopher Nolan, teve o seu lançamento em 4K Ultra HD e Blu-ray no passado mês de dezembro, revelando-se, logo, como um campeão de vendas. Depressa as edições desapareceram das prateleiras das lojas e, em especial, o Digibook  do mesmo. Mas será que tanta loucura ocorreu com razão?

É com este grande lançamento, que consideramos como o melhor do ano, que também surge a oportunidade ideal para lançar um novo espaço. A partir de agora, todas as análises a edições, realizadas pelo Sétima, terão também uma versão das mesmas em vídeo. Um meio mais interativo que te permitirá conhecer, de uma forma mais dinâmica, aquilo que pensamos sobre cada edição.

Mas, se és também um apreciador das análises escritas, não te preocupes. Essas continuarão presentes, com uma abordagem mais detalhada para todos aqueles que, depois de visualizarem o nosso vídeo, queiram saber mais sobre a edição.


Apresentação (5/5)

É com uma edição de dois discos Blu-ray, sendo um apenas de extras, e mais de 64 páginas de magníficas fotos da rodagem de Dunkirk, que este Digibook se apresenta. Mas, não é só o seu interior que brilha. O primeiro contacto que temos com a edição é feito através de uma arte excecionalmente, bem escolhida. É verdade que ficou a faltar uma capa lenticular, que o complementaria da melhor forma, mas o acabamento brilhante escolhido também consegue realçar a beleza do mesmo.

 


Imagem (5/5)

Filmado em película, com uma combinação de câmaras Imax 65 e Panavison 65 e lançado nos cinemas com uma variedade de aspect ratio, incluindo 2:39:1 para a projecções standard a 35mm, 2:20.1 para projeções a 70mm e 1:43:1 e 1:90:1 para as salas Imax, a edição Blu-ray de Dunkirk chega, também ela, com múltiplos aspect ratio. À semelhança do que Nolan fez com outros filmes seus, a projeção alta definição de Dunkirk varia entre 2:20:1 para as cenas filmadas num aspeto standard e 1:78:1 para as cenas, especialmente, filmadas para os ecrãs Imax. Mas, se existem alguns momentos, em que esta transição entre planos passa quase despercebida, existem outros em que a mesma se torna num fator de distração. Apesar de tudo, no geral, não perturba o visionamento do filme e, quando a imagem expande, para preencher todo o ecrã, também a imersão na película aumenta. Mesmo assim, pela controvérsia que esta decisão sempre gerou, deveria estar incluída a opção de visualizar, ou não, com a alteração dos formatos.

Mas não só no formato de imagem se centraram as decisões do realizador para esta edição. Também a seu pedido, o disco Blu-ray foi terminado com um Bitrate bastante superior aos restantes lançamentos da Warner. Mais especificamente, foram 33.26Mbps que “obrigaram” a que os materiais de bónus fossem colocados num disco separado.

Estas imposições de Nolan resultaram numas das melhores imagens presentes num Blu-ray, onde todos os detalhes são exibidos com a máxima definição. Pormenores como pequenos grãos de areia na praia, a espuma das ondas ou até os detalhados elementos de um complexo guarda-roupa são exibidos no seu esplendor. Marcas nas faces dos soldados constituem também outro dos elementos que destacamos, assim como qualquer uma das cenas que decorre no ar – nos aviões – onde as paisagens marítimas exibidas, apesar da tragédia da história, surgem com uma beleza incomparável.

Dunkirk não é um filme muito colorido, adotando, na sua maioria, um tom um pouco “azulado”, mais frio, que é reproduzido na  perfeição por esta transferência. Até nas raras cenas decorridas num ambientes mais noturno, a imagem aparece detalhada, com todos os seus elementos visíveis e distinguíveis entre si. Ruído é algo inexistente neste disco, surgindo apenas para efeitos da narrativa visual.

Com isto ficamos só a imaginar como poderá brilhar o disco 4K de Dunkirk e com pena da falta de equipamento necessário para experimentar o filme nesse formato…


Som (5/5)

Seria de pensar que com a falta de uma faixa em Dolby Atmos, a variedade sonora de Dunkirk deixaria muito a desejar. Porém, o inverso aconteceu. Seguindo, mais uma vez, as indicações de Nolan, a edição Blu-ray de Dunkirk (assim como a 4K) apenas possuem uma faixa em DTS-HD Master Audio 5.1, pois o realizador acredita que é assim que o seu filme deve ser visto no lar.

Independentemente do que gerou esta decisão, não há como negar a força desta faixa. Desde os minutos iniciais de Dunkirk que a mesma marca a sua posição. De efeitos sonoros “simples”, somos longo bombardeados por potentes sons de disparos de armas, que, depressa, preenchem todo o espaço.

A própria banda sonora de Hans Zimmer domina qualquer cena em que entra, existindo até momentos em que se merge com os efeitos sonoros presentes, proporcionado uma experiência sonora arrebatadora. Todo e qualquer design sonoro de Dunkirk surge renderizado com uma excelente precisão, com destaque para a forte intensidade sonora presente nas cenas aéreas. Acima de tudo, a faixa de Dunkirk constitui um elemento sonoro de referência para qualquer lançamento futuro.


Materiais de Bónus (5/5)

Assim como um filme se inicia com a sua fase de pré-produção, que passa, depois, a produção e esta, por sua vez, se encaminha para a pós-produção, também os materiais de bónus de Dunkirk são apresentados nesse sentido. Materiais ou talvez material. É que os extras de Dunkirk são constituídos, unicamente, por um documentário, com mais de duas horas, que nos leva nessa viagem cinematográfica. Mas não se deixem enganar pela pequena quantidade. Este documentário possui tudo o que poderiam pedir para conhecer os bastidores deste filme. Encontra-se dividido em 5 capítulos, cada um deles com diversos sub-tópicos, mas pode (e deve) ser visualizado como um só produto. E, como um pequeno bónus, tudo está legendado em português! Algo que se tornou raro nos lançamento atuais…

– Criação: O primeiro capitulo deste vasto documentário dá-nos uma espécie de introdução à viagem aos bastidores de Dunkirk e responde logo, nos primeiros momentos, aquelas questões essenciais com que ficamos ao visualizar o filme.  Assim, perguntas como “Como surgiu a ideia? Foi mesmo filmando no local real? Porque a imagem do filme muda de aspetos? Porque parece tudo tão real?” são adereçadas. Após este momento introdutório, a narrativa do documentário pega nessas questões-base e expande-as ainda mais.

– Revisitando o Milagre (07:47): o elenco e a equipa técnica (com especial enfoque em Nolan) descrevem o fenómeno de Dunkirk e como o mesmo originou o filme, desde a sua concepção inicial, até à escrita do guião. Pela visão de Nolan, são ainda abordados elementos relativos ao modo de thriller, com que este desejava contar a sua narrativa.

– Dunkirk (5:00): como o sentimento de realismo do filme conseguiu ser transmitido, através das filmagens realizadas no próprio local do acontecimento. Realizador, Produtora e Diretor de Fotografia abordam como foi importante conseguir filmar na localidade de Dunkirk e como seria difícil conseguir recriar todo aquele ambiente num estúdio.

– Expandir a imagem (03:36): Algo que é raro de se ver, mas que, nestas extras, aplaudimos a sua presença. Nolan justifica o porquê de filmar com câmaras Imax e, por consequência, criar dois aspect ratio diferentes para a película – traz uma maior imersão, por parte do espectador, em todas as cenas. São ainda abordados quais os truques utilizados nos suportes das (pesadas) câmaras Imax, mas de uma forma muito breve pois, em capítulos posteriores,  recebemos esses verdadeiros detalhes.

– Uma abordagem real (05:52): Se sempre ouviram falar daquela “obsessão” de Nolan em querer filmar, ao máximo possível, o real, sem recurso a qualquer elemento criado por computador, aqui verão como este e toda a sua equipa levaram ao máximo este ideal para a realização de Dunkirk.

– Terra: Entramos, aqui, no novo capitulo do documentário e, ao mesmo tempo, na fase de produção do filme. Tal como na narrativa de Dunkirk, os bastidores da película são exibidos por três frentes distintas: primeiro as ações em Terra, depois no Ar e, por fim, no Mar. No final, tudo culminará na fase final da pós-produção. Mas, no que a este capítulo sobre Terra diz respeito, existe a explicação dos pequenos truques utilizados para que a construção de Dunkirk fosse possível.

– Criando o Molhe (05:59): uma demonstração de como a construção desta estrutura foi executada, a partir dos elementos ainda existentes no local verdadeiro. Acima de tudo, são debatidos os desafios enfrentados na adaptação para este cenário.

– O Exército na Praia (05:18): Como o próprio nome indica, vemos aqui como foi possível coordenar e preparar milhares de figurantes como soldados de Dunkirk. Destacamos é duas pequena surpresas, que surgem no final do featurette: o modo como membros da equipa foram “disfarçados”, para conseguir estar presentes na rodagem das cenas, dando indicações aos figurantes e como uma replicação em papel dos soldados ajudou a completar a cena.

– A abordagem aos uniformes (05:21): Nunca pensaríamos que um filme como este, onde pouca variedade no guarda-roupa existe, uma vez que precisam de ser fiéis ao período da narrativa, se focasse neste ponto. Mas fá-lo, exibindo o modo como foram construídos e até mencionando pequenos truques de gravação executados.

– Ar: Com a narrativa dos bastidores de Terra concluída, somos encaminhados para as cenas de Ar que, acima de tudo, se focaram em como as técnicas de câmara ocorreram.

– No ar (12:31): Bastante interessante, pois recebemos vastas informações sobre o modo como diversos mecanismos foram construídos, nos próprios aviões, para se conseguir filmar todas as acrobacias, com planos invulgares e com câmaras Imax.

– Dentro do cockpit (05:59): Como não só de captações reais no ar foram feitas estas cenas, aqui ficamos também a conhecer o mecanismo utilizado para “falsificar” as mesmas em terra.

– Mar: Por fim, aterramos no Mar, com o último capitulo da fase de produção de Dunkirk.

– Unir a frota faval (03:50): Nada mais que um pequeno segmento, onde se explora como a aquisição dos barcos presentes no filme se processou.

– Lançar o moonstone (05:55): O tema da aquisição do barco, tal como no featurette anterior, é abordado, mas o verdadeiro destaque encontra-se no modo com as filmagens decorreram e das dificuldades sentidas, devido ao pouco espaço disponibilizado, por toda a equipa e equipamento dentro do barco.

– Navegar no mar (13:43): O modo como a procura de Nolan por sempre querer captar o real nas suas filmagens, originou diversos desafios, principalmente com câmaras e adereços, e o modo como os mesmos foram ultrapassados. Desde as filmagens num “falso mar” e diversos equipamentos de suporte de câmaras em navios, tudo é abordado ao mais pequeno pormenor.

– Afundar os barcos (07:29): Como nem sempre é possível a realização de uma cena num cenário real, por questões de segurança ou mesmo de logística, aqui vemos como a construção de cenários controlados facilitou a produção destes momentos.

– Os Barcos Pequenos (05:57): Apenas uma apresentação das embarcações mais pequenas presentes no filme e como algumas destas estiveram, de facto, presentes no evento real de Dunkirk.

– Conclusão: Neste momento de pós-produção, a preocupação de Nolan em sempre captar o real e nunca recorrer a um Green Screen para construção computacional posterior, é exibida ao máximo. Assim, esta secção não se expande muito pois para além do momento de execução de banda sonora e da edição, nada mais há a abordar.

– Aumentando a tensão (07:23): O verdadeiro trabalho do mundo audiovisual é exaltado aqui, onde compositor e editor, apoiado pelo realizador, transmitem como os meios vídeo e som foram trabalhados em conjunto, para um aumento de tensão constante, ao longo do visionamento de Dunkirk.

– O Espirito de Dunkirk (07:55): Apenas um ligeiro “apanhado” do elenco e da equipa técnica, relativamente às experiências vividas durante a rodagem de Dunkirk.


Veredicto Final (5/5)

Depois de tantas informações, vamos ao que é importante? Sim? Recomendamos o Digibook de Dunkirk? Sem dúvida! Não foi por acaso que esta edição foi selecionada pelo Sétima como o melhor momento do nosso mercado em 2017. E porquê? Bem… Uma apresentação de excelência, qualidade de imagem e som poderosíssimas e excelentes materiais de bónus constituem razões mais do que suficientes para essa eleição.

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