Em Análise: Blade Runner 2049, em Steelbook Blu-ray

Trinta anos… é este o (longo) período que separa o original Blade Runner e esta sua nova sequela: 2049. E, com uma espera tão longa, esperava-se que o melhor dos melhores conteúdos surgisse. E, assim, o destino o ditou… e a opinião consesual surgiu de que estamos perante uma das mais recentes obras primas da Sétima Arte.

Como seria, de esperar, o melhor merece também as melhores edições. Dois Steelbook, com artes distintas, foram disponibilizadas… um com o Blu-ray e outra com o 4K. Nesta anaálise, veremos a edição Blu-ray esperando que a alta qualidade do filme tenha sido transferida para a mesma…


APRESENTAÇÃO (3/5)

Com duas edições Steelbook distintas a chegar ao mercado, o difícil parecia escolher uma só a adquirir. Assim, a compra das duas tornou-se uma opção para muitos . Porém, pelo Sétima, desviamos a nossa atenção para aquela que, na nossa opinião, possui uma estética mais eficaz… o Steelbook Blu-ray. Porém, mesmo esta edição possui algumas “falhas”.

A falta do disco 4K e, por consequência, um conteúdo inferior, surge como uma delas. A colmatar a mesma, o acabamento visual deste Steelbook compensa a “trapalhada” que é a edição metálica 4K. Tudo bem que estamos perante uma cena importante no filme, mas qual a necessidade de a repetir em  todo o espaço disponível da edição, quando existem artes promocionais de Blade Runner 2049 belíssimas? Não se compreende…

Mas, focando, agora, a nossa atenção na edição em análise… esta apresenta-se com uma arte que, apesar de não ser excepcional, se mostra competente. À semelhança dos fortes contrastes visuais presentes no filme, também esta edição utiliza esse mesmo jogo estético para reproduzir a sua capa e contra-capa. O interior apresenta um dos momentos mais marcantes do filme. Uma boa escolha, que ajuda a completar este Steelbook. Quanto a acabamentos, estes são mínimos, existindo apenas um pequeno brilho no título, que quase passa despercebido à pessoa mais comum.

No geral, apesar deste se apresentar como um Steelbook competente, sentimos que muito mais poderia ter sido feito para o elevar. Não existe nenhum elemento que se destaque junto deste, quer no seu conteúdo ou na sua apresentação, fazendo com o mesmo surja, assim, como mais uma edição metálica no meio de tantas outras.


Imagem (4/5)

Captado com as câmara Arri Alexa, através da supervisão de Roger Deakins, Blade Runner 2049 foi finalizado, para o seu lançamentos nos cinemas, com dois aspetos diferentes – um padrão para as salas comuns e uma versão expandida para cinemas IMAX. No entanto, o seu lançamento em Blu-ray chega apenas com uma opção. E a seleção recaiu sobre o formato padrão. Uma opção única, que não retira nenhuma beleza e qualidade à sua imagem, mas que gostaríamos que tivessem sido complementada com o aspect ratio das exibições IMAX. Quem não ama quando a imagem de um filme é capaz de preencher todo o espaço disponível na sua televisão? E com uma cinematografia tão bela como é o caso de Blade Runner, essa opção seria o ideal!

Mas, analisando apenas imagem que temos disponível, Blade Runner possui uma imagem satisfatória, mas que pensamos que poderia ser melhor. Com a sua duração a alcançar quase as 3h, não é de estranhar que o filme ocupe a maioria do espaço disponível no disco Blu-ray. Porém, como a Sony (Warner no mercado norte-americano) decidiu incluir materiais de bónus neste mesmo disco, a taxa de bitrate do filme em si teve que ser diminuída, de modo a libertar espaço para este conteúdo extra. Assim com um, de certo modo, limitado bitrate de 20.34 MBPS, a imagem de Blade Runner 2049 surge, ligeiramente, “amputada”.  Isto não é nada que perturbe o visionamento do filme e que seja visível ao mais comum espectador, mas que poderia ter sido evitado. Bastava colocar todo o material de bónus num disco separado.

Blade Runner 2049 possui um contraste visual bastante interessante. A cidade negra de Los Angeles, dominada por sombras, interrompidas apenas pelas cores saturadas dos anúncios e logotipos halográficos, surge imponente. Aliás, esta oposição gerada pela negra cidade e os coloridos anúncios, consegue criar um jogo visual cinematográfico poderoso. Jogo esse que aparece em muitos outros momentos ao longo da película e que se revela como contendo dos momentos mais poderosos desta transferência. Por vezes, pequenas notas de ruído surgem em ambientes mais escuros, mas em nada perturbam o visionamento do filme.

Em oposição a este ambiente, maioritariamente, monocromático, os campos desertos, fora dos limites da cidade, surgem numa expansão de cor. Porém, a mesma centra-se, geralmente, num único tom que domina toda a cena. O grande destaque do exterior vai, sem dúvida, para a cena no campo de destroços, onde todas as particularidades das peças de aço e dos detritos urbanos, surgem no ecrã com um nível de detalhe e precisão excepcional.

Assim, apesar de algumas limitações, não podemos deixar de aplaudir esta transferência que cumpre com tudo aquilo que poderiam esperar num Blu-ray. Uma qualidade excelente, que, como seria de esperar, apenas deverá ser ultrapassada pelo disco 4K.


Som (4/5)

Onde está a nossa faixa em Dolby Atmos? Por alguma razão desconhecida, se as edições americanas, tanto Blu-ray como 4K, veem acompanhadas de uma faixa am Dolby Atmos, na Europa, apenas o 4K teve direito a esse privilégio. No Blu-ray normal, apenas encontrarão um DTS-HD Master Audio 5.1. E, apesar da competência sonora que esta faixa apresenta, ficamos sempre a pensar em como poderia ser ainda mais elevada, com um formato áudio superior.

Mas, focando-nos apenas naquilo que, de facto, possuímos… podemos dizer o som desta transferência de Blade Runner é satisfatório. Consegue reproduzir, sem grandes problemas, a amplitude sonora do filme. Calmos momentos, dominados apenas por simples efeitos sonoros ou por diálogos, surgem com a claridade e precisão certas e, quando exigido, a banda sonora de Hans Zimmer e Wallfisch entra em cena, numa supremacia sonora absoluta, mas satisfatória. Falta apenas à faixa algum sentimento de imersão, e uma maior disposição dos sons pelo espaço. Pequenas falhas que, muito provavelmente, são corrigidas na codificação sonora com Dolby Atmos do disco 4K.


Materiais de Bónus (3/5)

Tal como, infelizmente, ocorre na maioria dos lançamentos atuais, nenhum dos extras presentes nesta edição se encontra legendado em português. Apenas estão presentes opções em inglês para os mesmos. É algo que não me perturba, mas continua a não fazer sentido, pois nem todos possuem o mesmo nível de compreensão do inglês.

Quanto à quantidade de materiais de bónus, numa primeira análise, olhando apenas para a pequena lista presente na contra-capa da edição, esta poderá parecer limitada. E, de certo modo, até poderemos afirmar que o é. Apenas um documentário de 25 minutos nos leva aos bastidores do filme. Mas o pouco que existe, é muito bom, conseguindo abordar, com clareza, todos os pontos-chave da produção de Blade Runner. Porém, após este momento, somos entregues a elementos que, apesar de bons, nada mostram sobre a vida por detrás das camâras. Neste segmento incluem-se  três pequenas curtas-metragem que retratam alguns acontecimentos-chave, antes dos eventos de Blade Runner 2049, mas que como já tinha sido divulgadas online, no período do lançamento do filme pelos cinemas, nada de novo acrescentam à edição. Para finalizar, encontrarão ainda um conjunto de vídeos, numa espécie enciclopédia visual, que aborda alguns conceitos e aspetos únicos do universo de Blade Runner e das suas personagens, que apenas auxiliam na compreensão da história.

No geral, apesar de positivos, gostaríamos apenas de ver uma abordagem prolongada aos bastidores do filme. O que temos é satisfatório, mas sentimos que muito mais poderia ter sido feito. E talvez esse “mais” até tenha sido feito para um disco de extras, que não recebemos.

– Desenhando o Mundo de Blade Runner 2049 (21:55): O único making of presente na edição. Neste documentários, os cineastas, artistas e atores responsáveis pela conceção e elaboração deste novo capitulo na saga Blade Runner, abordam todos os aspetos-chave responsáveis pela pré-produção, produção e pós-produção do filme. Porém, apesar de todos os seus aspetos positivos, sentimos que uma versão alargada do mesmo seria o ideal.

– Prólogos (3 Curtas-metragem):  Um conjunto de três pequenas animações, que retratam pontos da narrativa importante para o universo de Blade Runner e anteriores aos eventos do filme 2049. Um extra positivo, mas que não atribui nenhum valor superior à edição pois, como já referido, encontram-se online desde a chegada do filme aos cinemas. Os três títulos são constituídos por: 2022 – Blackout (15:45), 2036 – Nexus Dawn (06:31) e 2048 – Nowhere do Run (05:49).

– Blade Runner 101: Um segmento com featurettes muito curtos, contendo pequenas informações adicionais sobre pontos da história de Blade Runner 2049 ou até mesmo conceitos da película. À semelhança do extra anterior, até seria um segmento “engraçado” da edição, caso já não tivessem sido disponibilizados para o lançamento do filme nos cinemas e caso o making of do mesmo fosse bem mais longo. Inclui os vídeos: A Evolução dos Replicantes (02:07); Blade Runner (01:33), A Ascensão da Wallace Corp (01:50), Bem-vindo a 2049 (02:04) e Nos Céus (01:23). 


Veredicto Final (3.5/5)

Um lançamento que prometida muito, mas que, no final, pouco de extraordinário trouxe para o mercado. Desde a “trapalhada” do design do Steelbook 4K (culpa de decisões internacionais e não da distribuidora portuguesa), até ao inferior conteúdo do Steelbook Blu-ray, pouco haveria por onde fugir. A nossa seleção recaiu sobre o Steelbook Blu-ray e, apesar deste se apresentar como uma edição média, sem qualquer tipo de destaque, continuamos felizes com a nossa opção. Em termos de conteúdos adicionais, para além do filme, nada se perde para a edição 4K e, ao escolhermos esta, em muito ganhamos no campo do design do Steelbook. No entanto, ficamos com a sensação de que um esforço mínimo foi realizado para o lançamento deste grande filme. Muito mais poderia – e deveria – ter sido feito. Mas, se são fãs do filme, e ainda não adotaram a tecnologia 4K, aqui encontrarão a edição certa a adquirir, apesar das pequenas imperfeições que esta possui.



Confere também a nossa análise em vídeo à edição:

One Comment Add yours

  1. Jaime Rojas diz:

    Excelente análise, eu definitivamente vou comprá-lo para desfrutar de tudo o que você diz. Adorei está história, por que além das cenas cheias de drama e efeitos especiais, realmente teve um roteiro decente, elemento que nem todos os filmes deste gênero tem. Quando vi o Blade runner 2049 trailer , soube que seria uma excelente sequência do filme original de Ridley Scott. O filme tem uma direção incrível, narrado de uma forma bem humorada e divertida.

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