Em Análise: Liga da Justiça, em Digibook Blu-ray 3D

Por alguma razão (ainda) sem justificação – não fosse o modo de atuação das nossas distribuidoras dominado pela falta de lógica – Mulher Maravilha foi despromovida de receber uma edição Digibook em Portugal. O filme com maior sucesso da DC e aquele com o pior tratamento… Porém, brincando um pouco com a ironia da situação, Liga da Justiça, confirmado, recentemente, com o filme de menor sucesso da DC, teve um tratamento cuidado no nosso mercado. Como tal, o Digibook chegou!


Consulta também a nossa análise em vídeo:


Apresentação (4/5)

Não há como negar que as edições em Digibook continuam a ser um dos objetos colecionáveis mais belos. A sua apresentação robusta, complementada por dezenas de páginas repletas de belas imagens, conseguem conquistar qualquer um. E este exemplar de Liga da Justiça não é excepção!

Aliás, este consegue cativar (ainda mais) qualquer coleccionador, logo com a sua bela capa lenticular… que apesar de não possuir um grande efeito 3D, detém um efeito de profundidade bem interessante. Após esta primeira interação, somos, então, convidados a iniciar uma viagem visual, através dos pontos mais altos do filme. Estes são representados por dezenas de páginas preenchidas com diversas ilustrações conceptuais, ou mesmo de imagens do produto final em si.

Chegamos ao final deste Digibook com o seu ponto mais fraco: os discos. Aqui está uma clara oportunidade perdida da inclusão do disco 4K, em substituição do 3D presente. Se esta é considerada como “a edição de colecionador”, deveria suportar o máximo conteúdo. Já para  não falar que o estado em decadência do 3D,  nem deveria permitir a presença desse disco neste tipo de edições. Mas, no final, é mais fácil obrigar os colecionadores a comprar várias edições…não é?


Imagem (4/5)

Ao contrário dos seus antecessores do Universo Cinematográfico da DC, Liga da Justiça foi capturado na tradicional película de 35mm e enquadrado num aspect radio de 1:85:1. Tudo numa tentativa fomentar um sentimento de realismo e descontração a este Universo que é, severamente, criticado pelo seu tom negro. Infelizmente, estas opções tomadas em nada alteraram a perceção do filme que, no final, foi alvo de uma forte reprovação, tanto de críticos como de público. Mas isso é um tópico para um outro tipo de análise…

Liga da Justiça foi finalizado numa resolução em 2K e masterizado para este disco Blu-ray através da mesma. Porém, a transferência disponibilizada pela Warner, mostra-se um pouco indiferente. Como seria de esperar, a sua qualidade de imagem é boa, como em qualquer lançamento atual, mas, ao mesmo tempo, não exibe nada que a destaque de tantas outras. Cumpre com o esperado, mas poderia entregar muito mais… e talvez a inclusão de extras no mesmo disco do filme, constitua uma dessas razões.

Também aquele sentimento de realismo que se procurava atingir com este novo capitulo deste Universo Cinematográfico, desapareceu… e, foi substituído por uma explosão de CGI. Com isso, também algumas particularidades da imagem foram eliminadas e, em muitas cenas, ficamos com uma visão quase desfocada das mesmas e com um nível de detalhe muito limitado. Porém, aqui não conseguimos precisar, com toda a certeza, se este se trata de um problema da transferência em si, ou do filme original. Mas, acreditamos que seja o último caso… Isto porque cenas decorridas em ambientes reais, aparecem com uma bom nível de detalhe, exibindo apenas este ruído e falta de nitidez nos momentos dominados pelo CGI. Uma limitação dos efeitos especiais em si, mas que perturba a nossa visualização.


Áudio (4/5)

Muitos poderão não saber, mas o disco de Liga da Justiça encontra-se pré-formato para uma reprodução áudio do filme numa faixa em DTS-HD Master Audio 5.1. Apesar de oferecer a muito superior codificação em Dolby Atmos, a Warner optou por não a selecionar com a faixa padrão. Uma decisão já recorrente do estúdio, mas que não continua a fazer sentido, uma vez que, quem adquire estes produtos, deseja desfrutar do filme com a melhor experiência possível.

Quanto à faixa Dolby Atmos, esta, tal como a imagem do filme, surge banal. As suas nuances auditivas são satisfatórias, mas não proporcionam nenhuma experiência sonora memorável. Não existe um verdadeiro aproveitamento de todas as possibilidades permitidas pelo Dolby Atmos, estando o som um pouco limitado à posição central do ecrã da televisão. Isto poderá constituir uma tentativa de centralizar a nossa atenção na imagem do filme mas, ao mesmo tempo, sentimos que o sentimento de imersão sonoro, possibilitado pelo movimento do som ao longo da sala, é perdido.

Apesar de tudo, a faixa é competente em momentos de ação intensos, onde todos os elementos sonoros surgem distintos entre si. Em cenas mais calmas, dominadas, essencialmente, por diálogos ,o nível de detalhe também é satisfatório. A própria banda sonora de Danny Elfman ajuda a compor as cenas em que entra. Porém, os seus tons pouco irreverentes limitam a elasticidade sonora da faixa.


Materiais de Bónus (2/5)

Deverei começar a pensar em copiar, constantemente, o mesmo texto para os materiais de bónus em todas as análises a títulos Warner? Constantemente, o estúdio comete os mesmos erros, não se preocupando em responder às já habituais criticas de todos os colecionadores. Assim, mais uma vez, todos os extras não se encontram legendados em português. Os materiais presentes em nada ajudam a colmatar este problema, uma vez que a sua qualidade (ou falta dela) acompanha o negativismo deste lançamento. Estes mais se assemelham a uma espécie de teaser trailer para os verdadeiros bónus. Porém, esses nunca chegam.

Apesar de anunciar que o disco possui mais de uma hora de conteúdos extra, esse tempo não é aproveitado da melhor forma. Com isto, exibições dos bastidores de Liga da Justiça são mínimas. Talvez por todos os problemas existentes durante a rodagem do filme, ou por outra razão, a Warner optou por ocultar a componente de making of destes conteúdos. Existe um grande foco nas passagem e crescimentos das personagens e da Liga pelas páginas da banda desenhada mas, em relação à sua primeira aventura dos cinemas, o silêncio domina.

– Cena eliminada: O Regresso de Super-Homem (02:04):  a presença de apenas uma cena na edição, diz muito. Muito sobre os rumores que apontam para uma versão alternativa do filme, que ia de encontro à visão original de Zack Snyder para a Liga. Porém, como aquilo que a Warner considera essencial para o filme já se encontra presente, o estúdio optou por nada mais de substancial adicionar ao mesmo. Uma pena pois, mesmo analisando os trailer iniciais, existia material de qualidade que, infelizmente, nunca verá a luz o dia. Quanto ao que foi, de facto, libertado, nada de especial constitui. Apenas uma curta passagem de Super-Homem pela nave, onde, por momentos, surge o tão debatido fato negro, assim como um “olá” a Alfred antes da partida para a batalha final da Liga com Steppenwolf.

– Caminho Para a Justiça (14:10): diversos artistas responsáveis pelo tratamento dos elementos da Liga da Justiça, nas suas publicações a solo ou em grupo, levam-nos numa viagem, pela sua evolução ao longo dos anos. No final, há uma pequena menções à transição da Liga para as famosas séries de animação e, por fim, já noa segundos finais, mencionam o filme, com o apoio de declarações extra dos atores responsáveis por darem vida à Liga. Este pequeno featurette dá-nos um bom contexto sobre o aparecimento da liga mas, no momento em que se deveria expandir para o universo o filme, termina. E, infelizmente, nenhum outro material seguinte retoma os tópicos interrompidos.

– Coração da Justiça (11:52): os mesmos intervenientes do material anterior, abandonam a perspetiva da Liga, para nos transmitirem aquilo que consideram ser as características-chave da Trinidade da DC: Super-Homem, Mulher-Maravilha e Batman. Surgem também os atores que interpretam as personagens para complementar com a sua perspetiva. É um extra interessante, mas que em, praticamente, nada se foca no filme em si. Apenas seria bom se, de seguida, recebêssemos, o verdadeiro making of de Liga da Justiça.

– Tecnologia de Liga da Justiça (08:14): numa espécie quase de “anúncio publicitário” são apresentados os diversos extras tecnológicos da Liga, desde veículos, armas ou até extras dos uniformes. Existem pequenos apontamentos aqui e ali dos responsáveis pela elaboração destes componentes, mas a mesma é mínima. Este pequeno feauturette é tudo menos uma exibição positiva dos bastidores deste filme.

– Liga da Justiça – Os Novos Heróis (12:24): o ator Ray Fisher protagoniza uma pequeno segmento “narrativo”, onde apresenta os novos membros da Liga no Universo Cinematográfico da DC – Flash, Aquaman e Cyborg. A sua presença surge quase como apenas um elemento introdutório para as declarações daquilo que os atores pensam sobre as suas personagens. Uma espécie de (quase) entrevista descontraída, mas onde nunca se ouvem as perguntam. Salva isto as imagens de bastidores que vão passando.

– Steppenwolf – O Conquistador (03:03): conteúdo sem sentido e sem qualquer peso de maior. Apenas são referidas características simples -(já do conhecimento de todos), relativamente ao vilão de Liga da Justiça. Nada sobre as suas técnicas de execução e mesmo design da personagens são mencionados. Este constitui um extra que, caso fosse retirado da edição, não sentiríamos a sua falta.

– Estudo de Cenas: quase numa tentativa final em nos dar, de facto, algo dos bastidores do filme, este segmento procura abordar alguns pontos relativos à pré-produção, produção e, até mesmo, pós-produção de algumas das sequências do filme. Porém, a sua curta duração acaba por prejudicar esta intenção. Finalizamos os mesmos, sentindo que estes continuem apenas pequenos resumos dos verdadeiros vídeos. Aqui, poderão contar com os seguintes segmentos: Revisitando as Amazons (03:32), Resgate da Wonder Woman (03:14), Parque dos Heróis (04:57) e Batalha no Tunel (03:32).

– O Guarda-Roupa da Liga (10:21): este esforço final em tentar dar algo de bastidores, volta a ter uma nova “investida” aqui, onde o responsável pelo guarda-roupa do filme nos indica diversas curiosidades relativas à construção dos fatos dos membros da Liga. Não podemos negar que, tal como o extra anterior, aquilo que é produzido seja bem mas, se olharmos para a disposição destes extras como um todo, voltamos a adquiri um sentimento de “vazio”, onde muito mais haveria a acrescentar.


Veredicto Final (3.5/5)

padding-left: 30px;”>E o que dizer no final desta análise? Não há como negar que o Digibook para Liga da Justiça surge forte na sua apresentação. Infelizmente, o seu conteúdo não iguala esta elevada qualidade. Uma imagem pouco precisa, som limitado, materiais de bónus, praticamente, inexistentes e a falta do disco 4K, poderiam, facilmente, atribuir um veredicto final negativo a esta edição. Porém, não há como negar que qualquer Digibook, independentemente do seu conteúdo, constitui um dos mais belos objetos de coleccionador. E por isso, recomendamos que o adquiram, caso sejam fãs deste filme.

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