O Pesadelo Disney

Após a confusa notícia disponibilizada na passada sexta-feira, relativamente à edição Steelbook “nacional” de Black Panther, quis parar por um momento e explicar toda esta situação. Tentar, de certo modo, encontrar alguma espécie de justificação para todas estas decisões sem sentido, demostradas por parte dos estúdios Disney. Tudo numa perspetiva de um colecionador para outro colecionador, que não sabe o que pensar neste panorama…

O que poderá ter levado a casa do rato Mickey a tomar tal atitude repentina, cortando qualquer relação entre o formato fisico de alta definição e o mercado português? Haverá, de facto, algo que justifique isso? Ou esta nada mais é uma decisão de pura tirania, baseada nos, possíveis e eventuais baixos lucros alcançados nas vendas?

Para encontrarmos o cerne desta questão, precisamos de voltar atrás no tempo. Mais precisamente, regressar ao momento em que esta nova fase Disney começou: o lançamento Home Video de Carros 3. Este, como todos deverão já saber, foi o primeiro título com a sua edição Blu-ray completamente cortada, assim como opções em português eliminadas de qualquer disco internacional. Na altura, tal pareceu um pequeno infortúnio, um mínimo percalço, no nosso mercado… como tantos outros a que já estamos habituados. Porém, a situação repetiu-se com Coco e a este seguir-se-à Black Panther e qualquer outro titulo distribuído pela Disney. É que com o anúncio para Black Panther, veio também a confirmação de que a Disney virou por completo as costas ao Blu-ray em Portugal. Neste momento, as suas linhas orientadoras para a distribuição Home Video ditam que nenhum título será disponibilizado em nada mais para além do DVD… e claro, da sua versão digital. A tão famosa versão digital e a, de certo modo, verdadeira causa de todo este problema. Passo, então, a explicar…

Apesar de considerar que o mercado digital também possui o seu devido lugar, não devendo ser encarado como o “inimigo” aqui, defendo que o seu crescimento não deverá ser alcançado através de um mau tratamento e uma completa rejeição ao mercado fisico.  Mas não é isso que, neste momento, a Disney considera. Não será por acaso que o início dos problemas no nosso país tenham surgido, no mesmo instante, em que a Disney anunciou a criação do seu próprio serviço de streaming para 2019. Nesse momento, ditaram também que, como é habitual para o lançamento de qualquer novo produto, seria necessário estudar a forma como o mercado reagiria perante a chegada deste serviço. O grande problema é que, infelizmente, o nosso “pequeno retângulo à beira mar” foi selecionado como a “cobaia” para esse estudo.

E porquê? Porquê a escolha de uma realidade tão pequena para algo tão importante no império desta gigante do entretenimento? Bem, é que apesar de sermos um país, relativamente, pequeno, também somos um dos  que possui uma das maiores presenças e infiltrações da TV por cabo nas habitações (acompanhada de ligação à Internet), comparativamente com o nosso número total de habitantes. E a Disney encarou esta realidade como uma oportunidade única para testar a possível adoção do seu novo serviço de streaming. Um mercado, teoricamente, muito digital e com fracas vendas nos formatos físicos. Para esta empresa, estavam reunidas as condições ideias para este teste. E, assim, o fizeram.

No entanto, optaram por uma estratégia miserável (não existe mesmo outra expressão), rejeitando, por completo, o mercado fisico e tentando “empurrar” todos para o digital. Mas, esta sua manobra, poderá não estar a gerar os resultados desejados. É queneste momento, existe uma rejeição, por completo, a todos os produtos deste estúdio, por parte de todos aqueles que, de facto, continuam a investir na Sétima Arte. Mas, sendo a Disney a gigante orgulhosa que é, nunca admitirá este seu erro. Porém, faz algo muito (muito) pior…

Segundo fontes junto do processo, a Disney não admite que tomou uma posição de rejeição do Blu-ray para o mercado português. O próprio estúdio diz que está disposto a disponibizá-lo. Mas, então, como é possível esta atitude, quando nenhuma edição alcança terras lusas? É simples… Indica à NOS Audiovisuais que apenas disponibilizarão os seus filmes este formato, caso a distribuidora esteja disposta a enviar para o mercado números exorbitantes (pensem em algo como 3000/4000 cópias) de exemplares, como Steelbooks. Não valores totais para todas as edições mas, unicamente, para aquele que é considerada como o objeto de colecionador. Ora, a NOS, sabe que tais números nunca serão absorvidos pelo mercado e, como tal, estariam a perder grandes lucros – algo que qualquer empresa se recusa a fazer. No meio disto tudo, ficamos nós (os colecionadores) presos entre estas duas entidades: uma que age como criança dizendo que faz algo (e não o faz) e outra que se recusa a enfrentá-la com medo de perder todos os direitos de distribuição…

Tal como mencionado, acredito que o mercado físico e digital possa coexistir, mas é necessário um tratamento de qualidade para os dois.  E como a Disney se mostrou indisponível para o fazer, outra entidades tentam preservar ainda o pouco que existe deste mundo do colecionismo. Um dos mais recentes exemplos surgiu por parte da Fnac. Uma loja que já teve a sua (razoável) quantidade de maus momentos, mas que, muito corretamente, tenta impor-se perante a tirania dos estúdios Disney. Impor-se, claro, com limitações pois, mais uma vez, tal como a NOS, esta é uma empresa que não quer perder dinheiro. Não nos esqueçamos que a Disney não só é feita de filmes… aliás, é a grande máquina do merchandising a responsável maioritária pelos lucros do estúdio. Merchandising esse que a Fnac vende e o qual não deseja perder, caso provoque demasiado o estúdio…

Para tal, começando com Black Panther, esta cadeia de lojas, num acordo com a NOS, passará a  importar as edição Steelbook Blu-ray de outros mercados, numa tentativa de levar até junto do consumidor aquilo que este pede. É verdade que as edições continuarão sem opções em português, uma vez que a Disney decidiu não suportar mais estas opções, mas não podemos deixar de aplaudir esta tentativa em demonstrar ao estúdio, que, realmente, ainda existe um forte interesse pelo mercado físico de filmes. Quem sabe se isto não fará o estúdio encarar a realidade doutro modo… até lá, continuaremos sempre a insistir com o nosso Boicote total à Disney, na esperança de que mudanças surjam, em breve, para este pesadelo.

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