Em Análise: A Forma da Água, em Steelbook Blu-ray

A Forma da Água, um conto de fadas do outro mundo filmado como pano de fundo da América da Guerra Fria por volta de 1962. No laboratório oculto e de segurança máxima onde trabalha, a órfã e muda Elisa (Sally Hawkins) está presa numa vida de isolamento. A sua vida vai mudar para sempre quando ela e a colega de trabalho Zelda (Octavia Spencer) descobrem o segredo de uma experiência aquática altamente confidencial.

Este Vencedor do Óscar de Melhor Filme chegou em Blu-ray, na passada quinta-feira (dia 31) e, instantaneamente, se revelou como um sucesso de vendas. Em especial, a edição Steelbook que agora apresentamos e que esgotou numa questão de dias.


Apresentação (5/5)

A simplicidade desta edição Steelbook será, talvez, o seu ponto mais forte, deixando a belíssima arte falar por si. Mas não se deixem enganar por esta, aparente, falta de efeitos de maior neste objeto metálico. Numa segunda análise, observa-se quase uma certa textura minimalista presente em toda a edição. Isto fez com que a ilustração selecionada para este Steelbook, se tornasse ainda mais especial. Cresce a sensação de que seguramos, de facto, na folha de papel original deste “desenho”. Uma sensação extraordinária!

Quanto a conteúdo, somos limitados ao Blu-ray. Porém,  sem opções em 4K com legendas em português noutros mercados, pouco mais poderíamos pedir. Talvez uma arte no disco seria simpático… uma prática abandonada pela FOX, nos seus lançamentos mais recentes.


Imagem (4.5/5)

A Forma da Água chega numa transferência da 20th Century Fox Home Entertainment, com uma codificação 1080p AVC e um aspect ratio 1.85:1, mantendo a sua formatação original. Apesar de ter sido captada, exclusivamente, em formato digital, toda a imagem de A Forma da Água detém uma constante textura, que nos remete, instantaneamente, para a tradicional e belíssima aparência dos clássicos do cinema. Muito mais que isso, a esta imagem atribuímos, constantemente, um estado celestial (um estado de fantasia), identificando uma clara preocupação em estilizar todo o universo visual deste conto de fadas de uma forma única e quase surreal.  A mesma é tão rica que, caso lhe retirássemos todo o som, conseguiria, sem problemas, contar a mesma narrativa densa e do fantástico que nos é apresentada. 

Sendo a “textura” um dos principais pontos fortes desta transferência, torna-se natural que todo e qualquer detalhe visual do filme surja imponente. Quer sejam elementos do guarda-roupa, cenários ou mesmos feições das personagens, tudo aparece com uma vivacidade incrível. Por exemplo, todas as escamas da criatura e restantes particularidades surgem claras e vivas, assim como as texturas faciais das personagens humanas, nos inúmeros close-up criados por Del Toro. 

Com uma paleta de cores, maioritariamente, dominada por tons em azul/verde e acentuada por um forte contraste, com um presença intensa de sombras, existe um ruído contínuo que surge na pelicula. Porém, o mesmo, nada retira ao produto final. Pelo contrário, contribui ainda mais para a transmissão visual deste conto de fadas e desta sua imagem de pura fantasia. Existem pequenos momentos em que a qualidade da imagem peca um pouco. Em cenas debaixo de água, elementos surgem desfocados e com pouca definição. Porém, aqui, por declarações do realizador nos materiais de bónus, somos levados a acreditar que a mesma “falta de definição” é intencional, para uma melhor transmissão dos momentos submersos. 


Som (4/5)

Apesar da sua “restrita” faixa DTS-HD Master Audio 5.1, a presença sonora de A Forma da Água surge mais do que satisfatória, conseguindo proporcionar uma experiência imersiva ao espectador. É verdade que o filme não possui uma amplitude sonora muito variada – aliás, mantém uma certa constante harmonia ao longa da sua duração, mesmo em alguns momentos mais intensos – mas o mesmo não impossibilitou a criação de uma faixa competente. 

Sem muito por onde explorar, esta transferência sonora teve a inteligência em desenvolver um constante ambiente surround, com diversos sons a surgirem dos vários cantos da sala, permitindo que o espectador seja colocado no centro da ação. Quanto a diálogos, não existe nada de mais a apontar. Como esperado, surgem sempre claros e numa posição prioritária. 


Materiais de Bónus (4/5)

Torna-se engraçado verificar como são os filmes “mais pequenos” aqueles que conseguem entregar os materiais de bónus mais interessantes. Não que este seja, de todo, um filme desconhecido, mas comparando com os grandes blockbusters, com orçamentos astronómicos, A Forma de Água consegue entregar uma passagem até aos bastidores muito mais detalhada, que alguns dos mais recentes “grandes filmes”. Destaque ainda para o facto de tudo se apresentar legendando em português. Uma prática que, infelizmente, tem vindo a ser abandonada por muitos dos grandes estúdios.

– Um Conto de Fadas para Tempos Agitados: Neste segmento, divido, em quatro pequenos capítulos, encontrarão o making of para A Forma da Água. Com declarações detalhadas do realizador, Guillermo Del Toro, e dos atores, assim como de diversos elementos da equipa técnica, somo guiados através do processo de construção do filme. Não esquecer ainda de mencionar as imagens de bastidores fabulosas, que, visualmente, conseguem transmitir muitos do ambiente vivido por detrás das cenas. É certo que padrão afirmar que a duração deste making of poderá parecer curta – com pouco mais de 30 minutos de conteúdo – mas aquilo que está presente, foca-se, imediatamente, no cerne da questão a tratar, não perdendo qualquer tempo com informações mais “redudantes”. 

– Amar na Era da Guerra (05:49): A exposição dos bastidores inicia-se  com o modo como o filme, mais concretamente, a ideia conceptual para o mesmo, surgiu. Com um grande enfoque na narrativa e o que esta tenta fazer, Del Torro surge com diversas exposições, que fluem numa amplitude desde o momento inicial de conceção da ideia para o filme, até à execução da mesma.

– Chamar Pelo Deus da Água (09:58): Um completo foco na “criatura anfíbia” protagonista do filme. Começa com as primeiras ilustrações conceituais de Del Torro e, longo de toda a sua duração, este featurette vai navegando pelo modo como estas evoluíram para construção de diversos moldes ilustrativos, culminando na execução final do “fato” para o ator utilizar durante a rodagem. Focando neste último ponto, existem ainda momentos de atenção dados ao ator que utilizou o fato e deu vida à criatura. Por fim, uma pequena referência à utilização de efeitos digitais surge, indicando o modo com os mesmos foram utilizados, não para substituir, totalmente, a criatura “real”, mas sim para completar a sua a aparência.

– Figura, Forma e Função (09:41): O campo mais técnico deste making of, com passagens especificas pelo guarda-roupa e cenários. Mais especificamente, a forma como estes dois elementos se tornam, até, personagens com vida própria, que ajudam a contar a narrativa em cena. Del toro foca-se, especialmente, em como a cor deste elementos – e os diversos jogos visuais dos mesmos – influencia a história e o modo como se perceciona. 

– Melodias Aquáticas (03:25): A duração deste featurette é reduzida e isso afeta, de facto, aquilo que aqui é transmitido. Existe uma abordagem muito reduzida, e pouco explicativa, da banda sonora de A Forma da Água. Aliás, o grande foco deste pequeno vídeo está na música composta para a personagem Eliza. Este é, sem dúvida, calcanhar de Aquiles deste making of que, até ao momento, brilhava. 

– Anatomia da Cena – Prólogo (03:14) e A Dança (04:50): Dois pequenos momentos em que o realizador reflete sobre o significado destas duas cenas no filme e qual a necessidade da presença das mesma. Como pequeno bónus, recebemos ainda imagens de bastidores fascinantes, que nos revelam alguns dos truques de filmagens utilizados para conseguir alcançar o desejado. 

– Modificando as Ondas – Uma Conversa com James Jean (05:05): O responsável pelo poster (e arte deste steelbook) para  A Forma de Água conta como se envolveu neste projeto e quais as suas principais inspirações para a execução da ilustração final. Este é apenas um pequeno momento de curiosidade, mas que é recebido com animação, uma vez que, anteriormente, já tivemos direito a uma verdadeira viagem aos bastidores. Esta é apenas uma forma descontraída de a terminar.

– MasterClass com Guillermo Del Toro (13:27): Pequenos excertos de uma palestra dada por Guillermo Del Toro e outros elementos da equipa técnica do filme sobre o processo de criação envolvido para o mesmo. Aqui encontrarão momentos interessantes, que complementam os conteúdos de bastidores transmitidos anteriormente. Porém, o facto de terem optado por incluir apenas pequenos excertos desta intervenção, com diversos “saltos repentino” entre tópicos distintos, transmite a sensação de que existe algo em falta. 

– Trailers 


Veredicto Final (4/5)

Uma edição tímida, que, no momento do seu anúncio, apontava para uma calma passagem pelo círculo de colecionadores nacionais, mas que se revelou um dos maiores sucessos do ano. E com muita razão! A sua arte belíssima, acompanhada de bons materiais de bónus e, claro, boa qualidade na transferência de imagem/som, torna-a na melhor opção a adquirir para todos os entusiastas de A Forma da Água. Aliás, existem muitos a partilhar da mesma opinião. Um grupo que, depressa, transformou este Steelbook numa raridade e num dos objetos mais desejáveis no nosso mercado de Home Video.

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