Em Análise: Ready Player One, em Steelbook Blu-ray 3D+Blu-ray

Steven Spielberg regressa ao grande ecrã com a adaptação cinematográfica do aclamado livro de Ernest Cline: Ready Player One – Jogador 1. Em 2045, com o mundo à beira do caos iminente, devastado por conflitos e com escassez de recursos, só existe um local para onde é possível escapar: o Oasis.

Por cá, em 2018, ainda podemos contar com grandes obras cinemotráficas, como esta, para a nossa fuga do mundo real. E quando as mesmas chegam em grandes edições, está traçada a fuga ideal para qualquer colecionador. Porém, será este o caso com a edição Steelbook nacional para Ready Player One e o seu disco Blu-ray?


Apresentação (2/5)

Iniciamos esta análise pelo ponto mais fraco de toda a edição: a sua apresentação. Apesar da presença de uma edição Steelbook para qualquer lançamento ser sempre simpática, não podemos deixar de criticar a fraca arte selecionada para a versão nacional. Principalmente, quando existem opções, disponibilizadas noutros mercados, com uma componente estética superior em todos os sentidos.

Intensificando o fraco atributo visual da edição, está a falta de qualquer acabamento de maior. Existem uns pequenos apontamentos de brilho – no título e elementos como o easter egg na capa e as chaves na contra-capa – que contrastam com o fundo “fosco”, mas que, numa primeira análise, passam, despercebidos a qualquer um. A própria arte interna da edição segue o acabamento minimalista de todo o Steelbook, culminando na adoção simplista das imagens dos discos.  Um design simplista que não nos agrada, mas que, se existe algo de positivo a apontar, é a sua total harmonia visual.

Mas, se aqui pelo Sétima, não aprovamos o estilo retro ( inspirado nos primeiros jogos dos anos 80) dado a este Steelbook, sabemos que existem também opiniões opostas à nossa. Esta tem sido, de facto, uma edição bastante divisória entre o mundo do colecionismo. Se há quem aprove esta “invulgar” abordagem, que torna a edição num objeto único dentro do universo metálico do Steelbook, existem quem considere que muito mais poderia e deveria ter sido feito.


Imagem (5/5)

A transferência Blu-ray de Ready Player One habita numa constante dualidade visual entre o mundo real e o mundo virtual do Oasis. As duas superfícies, apesar de distintas entre si, partilham a mesma qualidade e clareza na sua imagem, como já seria de esperar em qualquer transferência atual. Assim, com a qualidade da mesma já estabelecida, partimos para aquilo que, de facto, caracteriza este disco: a mencionada dualidade visual entre o real e o virtual. 

Em relação ao universo real, observamos algo contido no uso da cor e com um constante ruído visual. Porém, sabemos que esta texturização atribuída à imagem ocorre de modo intencional. Aliás, este é um ponto abordado pelo próprio Spielberg no making of do filme. O realizador menciona, aliás, que optou por captar todas estas sequências reais em película, para conseguir alcançar esse sentimento de realismo na imagem. Acima de tudo, tornar os dois mundos distintos entre si. Como tal, algumas imperfeições são necessárias e as mesmas ajudam, de facto, o espectador a separar aquilo que ocorre no mundo real e aquilo que as personagens vivem no Oasis. Assim, aqui, habitamos, constantemente, num mundo sem cor, repleto de tons mais negros, sinónimo da opressão e, de certo modo, falta de vivacidade presente neste lado do filme. 

Em oposição, o Oasis surge numa explosão de cor, onde todos os tons são permitidos. A textura dos objetos é dominada por uma definição constante, onde quase tudo surge sem qualquer imperfeição visível. Apesar de tudo, o nível de detalhe alcançado com a criação deste mundo não deixa de ser impresionante. Principalmente, se pensarmos que tudo, incluindo as personagens, foi construído digitalmente, através de CGI.  Existem, aliás, alguns planos close-up da faces dos protagonistas, onde o nível de detalhe visível nas suas faces impressiona, com qualquer pequeno elemento retratado em todo o seu esplendor. 

No final, ficamos com uma transferências que brilha em todas as suas nuances. Navega entre os dois mundos sem qualquer problema, entregando o produto final – o filme – na forma excepcional com que foi idealizado. 


Som (4/5)

A faixa Dolby Atmos de Ready Player One surge componente na sua reprodução, conseguindo reproduzir, sem grandes problemas, ambientes caóticos de ação, assim como outros mais “intimos” entre personagens. Este áudio é capaz de, aliás, tirar partido das diversas faixas presentes, dispersas pelas várias colunas da sala, criando uma experiência de pura imersão para o espectador. Todos os sons surgem sempre claros e distintos entre sim mas, como seria de esperar, notamos prioridade em determinados “ruídos”, com intenção de centrar a nossa atenção em aspetos específicos da cena. Porém, em nada isso afeta o eficaz balanceamento sonoro que caracteriza esta faixa. 

Se existe algo mais negativo a apontar, centra-se na intensidade de volume da mesmo. Por vezes, em cenas de grande ação, surge um pouco “tímida”, havendo a necessidade de aumentar o volume. Porém, ao mesmo tempo em que esta necessidade surge, depressa a faixa retoma a sua normalidade. Aliás, estes momentos são escassos e a audição geral do espectador não é afetada.

Em relação à banda sonora, a mesma surge sempre confiante, preenchendo os momentos em que entra de forma estonteante… principalmente, quando aposta naqueles clássicos sucessos dos anos 80. Por fim, o próprio diálogo aparece sempre claro e num posição prioritária a tudo o resto que o rodeia.


Materiais de Bónus (5/5)

Se os materiais de bónus de Ready Player One surgem fortes no seu conteúdo, voltamos a criticar a Warner pela falta de legendas em português. A tradição mantém-se e o estúdio continua a recusar a presença de opções no nosso idioma nos seus discos. Mas esquecendo essa “pequena” falha, a qualidade daquilo que recebemos é, de facto, excepcional. Um excelente making of completo e mais alguns pequenos featurettes constituem esta edição, que nos leva numa verdadeira viagem pelos bastidores. 

Os Anos 80 (05:38): Como seria de esperar, os extras desta edição começam no local onde Ready Player One teve as suas origens: o livro. Somos levados até ao mundo do autor, Ernest Cline, e aquilo que o inspirou para a criação desta história – em especial, o seu fascínio pelos anos 80, aliado à sua própria experiência pessoal. Tudo isto culmina no processo de adaptação da obra às salas de cinema e de como surgiu o envolvimento de Spielberg no projeto. Este é o featurette inicial ideal, uma vez que, instantaneamente, nos contextualiza no universo que iremos explorar nos capítulos seguintes. 

Mudança no Jogo – Descobrindo o Código (57:22): Pela duração deste título, já deverão ter adivinhado que estamos perante o making of de Ready Player One. Seguindo a sequência narrativa apresentada no capitulo bónus anterior, este featurette parte do envolvimento de Spielberg no projecto, para o processo de filmagens, com um especial enfoque nas captações necessárias para a criação de todo o ambiente digital do Oasis. É, de facto, aqui que se encontra o maior enfoque… E, facilmente, percebemos o porquê, quando vemos o produto final e, facilmente, ficamos impressionados como, através do nada, se criou um mundo digital convincente. Porém, este making of não se foca apenas na construção do mundo digital. Passa também pelas filmagens das cenas decorridas no mundo real, com destaque para alguns pontos-chave, assim como para todo o processo de casting, que permitiu selecionar os atores protagonistas. Elementos de cenografia e guarda-roupa necessários para a construção do mundo de Ready Player One são também abordados. Por fim, entramos numa abordagem sobre como decorreu a recriação e utilizar de alguns dos momentos visuais e musicais icónicos dos anos 80. Sem dúvida, um dos mais completos making of, que têm surgido nos mais recentes lançamentos Home Video. 

Os Efeitos Para Um Novo Mundo (24:39): Pela complexidade exigida dos efeitos visuais presentes em Ready Player One, percebemos a necessidade da criação de um featurette individual, para uma mais completa abordagem a esta tema. É é isso mesmo que aqui encontrarão. Uma visão integral, através do olhar dos artistas e cineastas responsáveis pela criação do mundo digital do Oasis e os seres e objetos que nele habitam. Porém, estes também não se esqueceram de trazer várias menções aos efeitos necessários para uma construção fidedigna do mundo futurista de Ready Player One.

Aumenta o Volume – O Som do Futuro (08:03): Este pequeno vídeo é, essencilamente, constituído por pequenas curiosidades sobre o uso de efeitos sonoros em Ready Player One. Existem, aliás, menções especificas à construção sonora da corrida de abertura do filme ou mesmo da manipulação da voz da personagem de Helen/Aech. 

Banda Sonora: O Jogo Final (10:04): A partir de uma narração inicial de Spielberg, entramos na mundo do compositor – Alan Silvestri – e de como este elaborou o mundo sonoro de Ready Player One. Aliás, o compositor foca-se bastante no modo como tentou descodificar a visão de Spielberg, numa composição sonora, com especial enfoque em diversos momento musicais icónicos dos anos 80.

Ernie e Tye: Uma Aventura (12:00): O autor do livro e o ator responsável por dar vida a Wade Wats/Parzival partilham pequenas histórias e curiosidades sobre o seu envolvimento no projeto. Apenas uma forma mais descontraída de terminar os extras de Ready Player One. 


Veredicto Final (4/5)

Uma edição que teria tudo para se tornar num dos lançamentos mais completos do ano, mas que, infelizmente, viu a sua notoriedade retirada pela apresentação do Steelbook. Apesar de considerarmos o conteúdo de Ready Player One excelente em todas as restantes categorias em análise, não conseguimos ultrapassar a má escolha da arte para a edição. Principalmente, sabendo que existem opção reais bastante superiores. Uma pequena falha que, facilmente, poderia ter sido corrigida e que tornaria este num objeto obrigatório para qualquer colecionador.

2 Comments Add yours

  1. Filipe diz:

    Será que esta edição não se vai manter muito tempo no mercado? Vi o filme no cinema e não achei que seria mandatário compra-lo pelo que só o farei se baixar de preço.

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    1. Sendo um lançamento da Warner, não costuma haver falta de cópias. Normalmente, são generosos na quantidade de edições que lançam no mercado.

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