Em Análise: Vingadores – Guerra do Infinito, em Steelbook Blu-ray

Ao lerem esta análise, poderão, desde logo, questinar-se sobre algo crucial: o porquê da escolha do Steelbook espanhol, quando, por Portugal, existia a mesma edição e com características semelhantes. Poderão pensar, num primeiro momento, que tal se deveu à falta do disco Blu-ray 3D na nossa edição. Porém, a falta de equipamento compatível com o formato, depressa destrói essa possibilidade.

Então, o que restará? Algo bem simples, na verdade: a lombada da edição. Enquanto que o Steelbook nacional adotou as imagens das personagens neste local a versão espanhola manteve o título do filme. Isto aliado ao preço idêntico, através de uma promoção de lançamento da Amazon.es, ditou a nossa escolha sobre a edição que, em seguida, será analisada. Igual em tudo à nossa – disco Blu-ray incluído – mas melhorada.


Apresentação (4/5)

Se a nossa análise se centrasse na edição Steelbook disponibilizada em Portugal, parte do discurso que se segue teria que sofrer algumas modificações. A razão? A lombada da edição. Felizmente, na versão espanhola, encontramos a solução para esta “banhada” praticada em território luso. Por cá, a Disney optou por voltar a colocar imagens das personagens na lombada do Steelbook, retirando o título do seu filme. Uma decisão (na nossa visão) sem sentido e a principal razão que despoletou a importação feita. 

Com este tópico tratado, viramos, a nossa atenção para a componente visual e estética da edição em si. Apesar da arte selecionada não se mostrar consensual entre todos os fãs do filme, por cá, aplaudimos a escolha. É verdade que quebra com o padrão criado nos anteriores lançamentos de Os Vingadores – com o destaque dado à letra “A” na capa – mas o seu substituto funcionou bem. Em adição, a presença de efeitos de relevo, baixo relevo e brilho praticado em Thanos e na luva contribui para a qualidade estética da edição. A decisão em tornar a capa e contra-capa numa imagem continua é também uma opção que aplaudimos e que gostamos de ver nas edições Steelbook. 

Alteramos, agora, o foco para o interior e para a sua arte medíocre. Não é má, mas surge apenas banal, após a apresentação exterior poderosa da edição. O apelo do Steelbook volta a diminuir, assim que reparamos nos discos que o acompanham. Ao contrário da arte aplicada nas edições dos EUA, pelo território Europeu, a Disney optou por manter o tradicional (e sem graça) tom azul. Ainda, relativamente, aos discos, é também positiva a presença do filme nos dois formatos – apesar da falta de legendas no 3D – mas gostávamos muito mais de ter visto o disco 4K a fazer companhia ao Blu-ray. Mas quanto ao 4K, a Península Ibérica ainda muito terá de esperar… E, para Portugal, nem o Blu.ray chegará no futuro…  


Imagem (5/5)

Apesar de toda a “trapalhada” atual praticada pela Disney, no seu plano de lançamentos português, existe algo onde o estúdio acerta, constantemente: as suas transferências em Blu-ray. Vingadores: Guerra do Infinito é mais uma prova plena disso, brilhando ao longo dos seus 149 minutos de duração, sem qualquer erro de maior. Remetemos apenas algo menos positivo para alguns efeitos visuais mínimos que, por vezes, não surgem no seu melhor. Um claro caso onde a tecnologia não conseguiu acompanhar a visão do cineasta.

Felizmente, esses momentos são reduzidos e depressa dominados pela fluidez, naturalidade e complexidade com que os elementos práticos e digitais se margem num só componente visual. Aliás, não conseguimos parar de exaltar o nível de precisão com que um filme, maioritariamente, digital, surge. Quer seja ambientes de planetas como Titan ou mesmo a apresentação do Titã em si – Thanos – tudo surge soberbo e com uma precisão e naturalidade sem precedentes. 

A paleta de cores do filme surge também precisa e numa variedade “inteligente” que, depressa, nos permite distinguir as diferentes realidades/locais presentes no ecrã. Isto torna-se, de facto, positivo numa obra em que existem, constantemente, vários cortes entre diversas cenas, que, por sua vez, decorrem em ambientes diferentes. Surpreendentemente, ao contrário de filmes passados dos irmãos Russo no Universo Marvel, Guerra do Infinito surge com as suas cores, ligeiramente, saturadas. Porém, este seu nível não é exagerado. Se, anteriormente, existiam criticas à falta de vivacidade e realidade na imagem dos filmes dos Russos, neste novo capitulo dos Vingadores, isso desaparece e todos os ambientem surgem com uma coloração natural e, acima de tudo, real. 

Ruído visual é também algo que, dificilmente, encontrarão nesta transferência. Ambientes mais obscuros, como a cena de abertura dentro da nave “Asgardiana, surgem detalhados, com níveis de realidade intensos. Esta característica “sem erros” alarga-se também à representação visual das personagens em si (reais ou digitais), assim como aos seus adereços e guarda-roupa. Tudo é preciso, vivo e natural. As três principais palavras que definem esta excepcional transferência da Disney. 


Som (4/5)

O rato Mickey continua (alegremente) com a sua tradição de apenas incluir a faixa Dolby Atmos num disco 4K. Isso, aliado à inexistência deste formato no nosso país (para títulos Disney), leva-nos a apenas ouvir o ambiente sonoro de Vingaodres: Guerra do Infinito num DTS-HD Master Audio 7.1. Apesar de tudo, esta faixa não desilude… na sua maioria. 

A faixa é competente mas, primeiro, para que o espectador possa desfrutar da mesma na sua plenitude, um aumento de volume considerável terá que ser realizado. Em níveis mais baixos, o detalhe desaparece, tornando-se difícil distinguir toda a amplitude sonora presente. Porém, se este aumento em volume for executado desde o inicio da visualização, poucas falhas serão detetadas. 

Assim, escutando a faixa já na sua posição ideal, vemos que é nos momentos de batalha e de maior “confusão” que esta brilha. Aproveitando-se da atividade surround, os sons viajam ao longo da sala, à medida que o visual o faz no ecrã. Os diferentes elementos sonoros tornam-se audíveis entre si. O mesmo ocorre com a banda sonora do filme que surge para aumentar a intensidade de uma cena, criando no espectador uma experiência sonora completa. Diálogos também surgem claros, assim que o volume se encontra no nível certo. Caso contrário, falas poderão soar um pouco “contidas” e de difícil compreensão. 

Devido a esta fraca intensidade sentida na faixa, é em momentos de menor ação que as suas debilidade surgem. Pequenos efeitos sonoros complementares do ambiente que rodeia as personagens, podem parecer inaudíveis e de difícil distinção entre si. Porém, mais uma vez, caso o volume seja ajustado, estas falhas poderão ser evitadas. 

No entanto, consideramos que tal característica deveria ser afastada. A faixa deveria chegar ao espectador na sua máxima plenitude, não “obrigando” este a contornar particularidades técnicas para uma melhor experiência sonora. Algo como um ajuste de volume, poderia (e deveria) estar já presente no disco, tornando a primeira impressão perante a faixa positiva. 


Materiais de Bónus (1/5)

Um novo lançamentos dos estúdios Disney e, mais uma vez, nos vemos obrigados a criticar, de forma severa, os materiais de bónus presentes nos seus discos Blu-ray. Se Guerra do Infinito é apresentado como sendo um evento cinematográfico sem procedentes, os seus materiais de bónus são o oposto. É sem qualquer preocupação em explorar os bastidores do filme, que nos são apresentados estes pequenos vídeos. Todos legendados em português, mas com uma total falta de conteúdo relevante.  Pequenas curiosidades de bastidores são muito mais completas junto dos comentários audio dos realizadores, do que neste meio visual… o que é uma pena e, acima de tudo, uma oportunidade perdida. 

– Parceiros Improváveis (05:08): numa espécie de antevisão à chegada de Guerra do infinito aos cinemas, este featurette explora a junção dos vários universos e personagens Marvel num único filme e de como todos os anteriores capítulos do MCU nos guiaram até Guerra do Infinito. Pouco ou nada toca no tópicos dos bastidores da película…

– Titã Vilão (06:34): seria interessante, e até expectável, que fossem abordadas as diversas técnicas – práticas e digitais – necessárias para dar vida ao grande vilão Thanos. No entanto, essa pequena e insignificante menção, acaba por ser inundada por declarações (um pouco) redundantes, que nada de novo transmitem. Tudo o que já sabemos sobre a personagem de Thanos – a sua origem e motivações – limita-se a ser repetido. 

– Para Além da Batalha: Titã (09:36) e Wakanda (10:58): Apesar deste segmento se encontrar dividido em duas partes, decidimos apresentá-lo como um todo, uma vez que as características entre os dois feauturettes são semelhantes. Assim, encontrarão pouca exploração dos bastidores destes dois grandes momentos do filme. No final, acabam por ser mais interessantes as imagens de corte que se vão sucedendo, do que as intervenções dos cineastas em si. Ficamos com a sensação de que estamos num estado de fast forward constante em que, se tenta transmitir tudo mas, no final, muito pouco consegue passar para o lado do espectador. 

– Cenas eliminadas: unicamente, com versões alargadas de momentos já presentes no filme, que pouco contribuem para a construção da narrativa geral. Percebemos, facilmente, o porquê de terem sido eliminadas do produto final. Inclui:

– Ser Feliz (01:24): extensão da conversa inicial, no parque, entre Tony e Pepper, com uma aparição de Happy;

– A Pedra da Mente (01:25): extensão da luta entre Scarlet Witch, Vision e os Filhos de Thanos na Escócia, com novos momentos visuais interessantes;

– Os Guardiões Recuperam (03:21): segmento adicional, após o rapto de Gamora por Thanos, com uma integração desnecessária entre Star Lord, Drax e Mantis.

– A Escolha de um Pai (04:02): extensão da conversa entre Thanos e Gamora, dentro da nave de Thanos, que, apesar de exaltar a interpretação de Zoe Saldana, não se torna muito relevante para a história final. 


Veredicto Final (3.5/5)

Mais um vez, encontrámo-nos perante uma edição Marvel que sai prejudicada pelos seus fracos materiais de bónus. O Steelbook de Vingadores: Guerra do Infinito mostra-se mais do que competente em todos os outros pontos em análises – tornando-se a edição ideal a adquiri para os fãs do filme – mas peca neste ponto. Algo que, caso a Disney desejasse, poderia ser facilmente corrigido…

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