Em Análise: Monstros Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald, em Digibook Blu-ray (2 Discos)

Foi o primeiro grande lançamento do ano. Após diversas semanas recheadas de diversas edições simples, por fim, Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, trouxeram algum prestígio para o nosso mercado. Com uma edição Digibook, Steelbook e diversas versões mais simplistas, este foi um dos lançamentos mais completos. Mas com tanta escolha, qual seria a mais correta a adquirir? Bem, tentei dar uma reposta a isso…


Apresentação (5/5)

Dificilmente poderia ter pedido uma melhor edição para Os Crimes de Grindelwald. As opções disponíveis para este título era muitas mas, no final, como poderíamos contrariar a escolha óbvia deste Digibook? É com uma belíssima capa lenticular, que alterna entre as personagens de Newt/Dumbledore e Grindelwald, que somos recebido por esta edição. Abrindo-o, no seu interior, encontramos 64 páginas retiradas do Artbook do filme, repletas de imagens de alta qualidade, assim como algumas informações adicionais, referentes ao filme e à sua produção. Por fim, iremos encontrar os dois discos Blu-ray, sendo que um deles encontra-se destinado à Versão Alargada.

Apresentado as particularidades deste Digibook deste modo, parece difícil encontrar algo de negativo a apontar a esta edição. Parece o objeto de coleção perfeito, não é?  E assim o seria… se não fosse perito em implicar, com o mais pequeno pormenor. Assim, não posso deixar de mencionar que o conteúdo desta edição ficaria perfeito com a inclusão do disco 4K Ultra HD. Algo que peço para todos os lançamentos mais especiais que ocorrem no nosso mercado, mas que, dificilmente, será atendido pelas distribuidoras.


Imagem (4.5/5)

A transferência Blu-ray de Os Crimes de Grindelwald apresentada pela Warner consegue, como seria de esperar, reproduzir a presença visual do filme sem grandes problemas. No entanto, apesar desta constituir mais uma exemplo de uma sólida transferência, nunca se tornará numa das melhores para exibir todas as potencialidades do formato Blu-ray. Dominado por tons escuros, fraca saturação e vivacidade, o mundo mágico de Os Crimes de Grindelwald surge, assim, contido. Esta é uma deliberada opção por parte do realizador e da sua equipa artística, que potencia o forte realismo que caracteriza todo o filme. Pequenos apontamentos de cor e de luz ocorrem nos momentos em que a magia, através dos seus feitiços, ganha forma, mas sempre limitada pela “falta de cor” atribuída ao filme. 

Contudo, esta opção estética de contenção de cor, não retira qualquer tipo de detalhe às imagens exibidas no ecrã. A definição é sempre uma preocupação central em toda esta transferência, podendo toda a sua força ser visível, principalmente, em planos close-up onde, por exemplo, pormenores nas faces ou guarda-roupa das personagens aparece sem qualquer tipo de ruído. Mesmo nas cenas mais escuras, dominadas por sombras, existe um jogo de contraste inteligente, permitindo exaltar pontos-chave da imagem e ocultando outros, sem nunca criar qualquer ruído de maior. 

É de exaltar ainda a preocupação que existiu em unir o mundo real dos efeitos práticos, com os efeitos digitais. Raros são os momentos em que os dois não convivem em harmonia, para a construção credível do mundo mágico. Apenas pequenas cenas, com alguns dos monstros, revelam o seu lado mais digital, mas tais “defeitos” são tão mínimos que em nada perturbam o visionamento do filme. 


Som (3/5)

Apesar das especificações técnicas do disco de Os Crimes de Grindelwald mencionar a inclusão de uma faixa inglês em Dolby Atmos e em Dolby TrueHD 7.1, ao espectador, não é dada a opção de escolha entre as duas. Pelo que conseguimos apurar, o disco escolhe, automaticamente, uma destas codificações, de acordo com aquilo que o equipamento de cada um permite reproduzir. Nesta caso, sem a possibilidade de ligação a um equipamento sonoro para Dolby Atmos,  Os Crimes de Grindelwald foi experienciado em Dolby TrueHD 7.1 e a experiência não foi muito positiva. 

Desde os momentos iniciais, que à faixa falta força sonora. Sem qualquer tipo de aumento substancial de volume, o áudio deste filme surge “abafado” e incapaz de preencher toda a sala. É verdade que Os Crimes de Grindelwald não constitui o típico Blockbuster, com explosões visuais e sonoras a cada minuto, mas uma maior preocupação no tratamento deste som deveria existir. Este é um filme, acima de tudo, guiado pela narrativa e pelos momentos entre as personagens, mal tal facto não deveria constituir razão para este tratamento simplista. Parece não ter existido uma preocupação em exaltar as potencialidades auditivas do filme, tendo sido aplicado uma “efeito” limitador e constante a todos os seus sons. 

Contudo, não se poderá considerar esta faixa como um mau exemplo sonoro. Apesar da sua timidez, não foram detetados quaisquer momentos com falta de precisão. Os diálogos surgem sempre claros e num lugar prioritário e, quando assim o filme o pede, a banda sonora do mesmo ocupa o seu devido lugar em cena. Os próprios efeitos sonoros produzidos pelos feitiços, assim como pelos sons de ambiente são satisfatórios. Porém, sempre limitados pela falta de “volume” na faixa. 

Talvez estes pequenos “erros” mencionados estejam corrigidos na faixa Dolby Atmos do filme mas, com a impossibilidade de o conferir, a análise do som para Os Crimes de Grindelwald terá que ser contida aquilo que se encontra disponível.


Materiais de Bónus (4/5)

A tradição dos estúdios Warner continua e, com isto, a falta de legendas em português em qualquer um dos extras apresentados. Uma prática cada vez mais comum para a grande maioria dos títulos disponíveis no mercado e que suspeitamos que se tornará na norma. 

Contudo, colocando este “pequeno” (e já habitual) percalço de parte, podemos dizer que aquilo que a Warner entrega em termos de materiais de bónus é bastante positivo. Não está presente um making of no seu sentido mais completo, mas sim pequenos featurettes separados. Alguns um pouco mais limitados, outros completos, mas a experiência final é boa. Como seria de esperar, gostávamos sempre de ter ainda mais, mas em tempos em que materiais de bónus são cada vez mais escassos, agradecemos o esforço em tentar incluir algo, de facto, relevante para todos os fãs do filme. 

– J.K. Rowling: Um Mundo Revelado (10:15): uma espécie de “À conversa com J.K.”, onde a autora deste mundo mágico explora o modo como expandiu a narrativa de Potter para o reino dos Monstros Fantásticos. Existe também uma abordagem sobre quais as diferenças/problemas que Rowling encontrou ao escrever esta nova história. Em especial, o modo como a vivência destas novas personagens adultas no mundo mágico, contrasta com a perspectiva centralista de Hogwarts e de ambiente académico.  Em momentos finais, o enfoque é direcionado para a escrita do guião para o filme em si e do processo de colaboração com outros departamentos da produção do filme que este implica, em oposição à escrita mais solitária em literatura.  

– Feiticeiros no ecrã, fãs na Vida Real (19:22): os atores Ezra Miller e Evanna Lynch assistem a algumas cenas de Crimes de Grindelwald, discutindo os pontos-chaves das mesmas. Este acaba por ser um pequeno vídeo engraçado para os fãs da saga e não, propriamente, um matéria de bastidores. Na verdade, é quase um modo de unir as duas sagas (Monstros Fantásticos e Potter), através dos seus atores. Contudo, existem algumas curiosidades dos momentos de rodagem partilhados por Ezra.

– Dumbledore Distinto (09:31): entramos numa exploração daquilo que caracteriza este novo Dumbledore. Um Dumbledore mais novo, com menos experiência e que, como tal, exibe alguns pontos na sua personalidade diferentes, daquilo que vimos nos filmes de Harry Potter. A escolha de Jude Law para interpretar a personagem e o que este trouxe para a mesma é ainda abordado, culminando num debate sobre a sua relação com Grindelwald, onde declarações do próprio Johnny Deep são acrescentadas. 

– Desvendando os Segredos das Cenas: é aqui que reside o making of de Os Crimes de Grindelwald. Bem… talvez será melhor afirmar que este é, de certo modo, o making of para os cenários do filme. O que não é nada mau… Assim, dividido em seis capítulos, este segmento levam-nos por uma viagem ao bastidores de momentos-chave para a narrativa do filme e como a construção dos seus locais ocorreu. Como? Com vastas declarações dos cineastas e belíssimas imagens da construção deste mundo mágico. 

– O Regresso a Hogwarts (06:18): um dos momentos mais esperados por todos os fãs de Harry Potter teria que ser incluido nesta deconstrução. Em Crimes de Grindelwad, a ligação à história de Potter é feita através da escola de Hogwarts e, como tal, foi necessária a sua reconstrução para este novo capitulo do mundo mágico. É esse processo que vemos apresentado. 

– A Casa de Newt (09:06): para além do design selecionado para a idealização do pequeno “santuário” dos monstros na casa de Newt, é também aqui que é abordada a criação (digital e prática) dos novos monstros adicionados à história. Curiosamente, aquilo que no filme anterior tinha um forte destaque entre os materiais de bónus, agora, é incluído noutro segmento. A demonstração de como a narrativa desta saga caminha cada vez mais para algo muito para além do “reino dos monstros”…

– Credence, Nagini e o Circo Arcanus (05:52): o título deste segmento revela, na essência, aquilo que o constitui. Pequenas explicações sobre a personagem Credence. Mais especificamente, existe um foco sobre o seu percurso passado, presente e futuro e o seu papel para os novos filmes. Para Nagini, a abordagem modifica-se um pouco e temos algo mais limitado, com pequenas menções a algumas características da personagem e da atriz que a interpreta. Por fim, para o circo, J.K. surge apenas a mencionar como a presença deste espectáculo no filme fazia sentido, não só para a história criada, como para o enquadramento do mundo mágico.

– Paris e o Lugar Cachée (10:05): um forte enfoque na construção dos cenários, que possibilitaram a exibição da cidade de Paris, como elemento central da ação do filme. Pelo olhos e palavras do Production Designer, Stuart Creg, vemos como esta cidade ganhou vida, nos estúdios da Warner. Este é um segmento extraordinário, que nos mostra o nível de detalhe com que estas grandes produções cinematográficas trabalham, para exibirem o melhor no ecrã. 

– Ministério dos Assuntos Mágicos: Ministério Francês (05:18): as características do segmento anterior são transportadas para este novo e, como tal, voltamos a ser presenteados como uma exibição da construção física dos cenários que compõem este universo. Algo muito interessante e que, no final, é complementado com alguns minutos referentes à personagem de Leta Lestrage. Apesar de uma cena relacionada com a mesma decorrer neste espaço, considero que haveria local melhor para deconstruir as suas características. 

– A fuga de Grindelwald e o reino do fogo (12:27): uma caracterização da personagem Grindelwad, tanto física como psicológica, que culmina no envolvimento de Johnny Deep para o papel. Em adição, como o título indica, existe ainda uma abordagem, mesmo que reduzida, ao modo com a cena da perseguição inicial foi projetada. Contudo, o grande destaque é atribuído à concessão da cena final no túmulo dos Lestrage. Curiosamete, apesar de mencionarem neste featurette que a perseguição foi a sequência mais elaborada para o filme e que exigiu um maior número de preparação, esse momento acaba por cair numa posição mais secundária. 

Cenas eliminadas: são constituídas quer por extensões de cenas já existentes no filme, quer por momentos novos. Contudo, aquilo que aqui está presente, mostra-se um pouco redundante para a narrativa final. Não acrescenta nada de novo à história em si, percebendo-se o porquê de serem cortadas. São apenas momentos “giros” para os fãs mas que, num último plano, acabam por ser repetições de outros já presentes no filme. Inclui: 

– O renascimento de Credence (02:03): como Credence se reconstruiu logo após a destruição no primeiro filme;

– Nas docas (01:08): “fuga” de Credence de NY para Paris;

– Andar e conversar (00:53): momento alargado da primeira conversa de Newt e Dumbledore em Lodnres; 

– Dança no baile (02:35): momento de Leta Lestrange e Theseus Scamander num baile, que não está presente no filme final;

– Tina e Skender (00:36): pequena interação entre Tina e o dono do circo, à entrada do espectáculo, na compra de bilhete;

– A cave de Newt (02:24): extensão da preparação da partida para Paris de Newt e Jacob;

– Murmúrio (02:45): pequeno momento mais “intimo” entre Nagini e Credence num telhado de Paris; 

– Newt e Jacob caminham para Kama (01:27): um deslocação alargada pelos locais de Paris.

– Nagini e Credence num beco (00:55): momento intimo entre os dois.

– Dumbledore e McGonagall (00:36): interação mínima, nos corredores de Hogwarts. 


Veredicto Final (4/5)

Se em muitos casos que tenho analisado, são os materiais de bónus que penalizam a avaliação das edições, para o Digibook de Os Crimes de Grindelwald, foram mesmo as suas especificações técnicas. A apresentação do filme numa edição Digibook é perfeita, a sua qualidade de imagem ótima e os materiais de bónus bastante positivos. Não fossem os problemas detetados na qualidade sonora do filme e, facilmente, esta se tornaria na edição ideal. Contudo, não será este pequeno percalço que me fará rejeitar o Digibook. Esta é uma edição obrigatória para qualquer coleccionador nacional e fã do mundo mágico de J.K. Rowling.

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