Em Análise: Aladdin, em Steelbook Blu-ray

A Disney eliminou as opções em português dos seus discos em Blu-ray. Não há como negar e não há como contrariar. A gigante do entretenimento faz o que quer e pouco, ou nada, se importa com as necessidades de mercados tão pequenos, como é o caso de Portugal. Infelizmente (e felizmente) belas edições Steelbook não param de sair para os seus títulos e Aladdin revelou-se um dos mais recentes casos de sucesso. Pelo menos, na sua apresentação…


Apresentação (4.5/5)

Dá vontade de esfregar a lâmpada, a ver se o génio sai de lá, certo? E como não? Quando esta capa tenta, literalmente, saltar da edição? 

Não há como negar a beleza deste Steelbook, que se mostra como um dos mais belos lançados pela Disney. O estúdio optou pelo seguro, ao utilizar o teaser poster de Aladdin como o elemento central desta edição. Essa segurança resultou, mas com a adição de novos elementos. 

O elemento visual deste Steelbook – a lâmpada – assenta dentro de uma moldura, sendo que, no interior da mesma, o efeito de relevo impera.O brilho também não foi esquecido para estes elementos (a lâmpada e o titulo), dando-lhes uma ainda maior posição de destaque, contrastando com o restante acabamento “fosco” da edição. A contra-capa deste Steelbook segue a simplicidade desta “entrada, complementando a mesma e tornado-a num só elemento. 

A edição peca apenas no interior. Ao já esperado (e aborrecido) disco azul, junta-se uma imagem com um detalhe muito reduzido. O momento selecionado não é mau, pois somos recebidos com a explosão de cor característica do filme, mas foi aplicado um “zoom” excessivo a este frame especifico de Aladdin, retirando-lhe todo o detalhe existente. 

O conteúdo da edição que temos em mãos, a versão portuguesa, prejudica o Steelbook no seu tudo. Uma vez que as legendas em português não existem em nenhum disco Blu-ray do filme, gostaríamos, de ter visto a adição de um disco 4K ou mesmo do simples Blu-ray 3D. Qualquer coisa que aumentasse o seu valor e fizesse “companhia” a este solitário disco Blu-ray. 


Imagem (4/5)

Mais um claro exemplo de que qualquer transferência, de um título atual, cumpre com a qualidade esperada. Captado, com recurso a câmaras digitais, Aladdin chega-nos, agora, em Blu-ray com uma qualidade de imagem satisfatória. Visualmente, a transferência do filme não surpreende, mas também não comete nenhum erro de maior. 

Contudo, Aladdin possui algo de muito especial. Ao contrário de outras dezenas de transferências Blu-ray que surgem, a diversa e mais completa paleta de cores característica deste universo, permite elevar a amplitude dos disco Blu-ray. Com a cultura de Agrabah inundada por fortes tons verdes, roxos, vermelhos ou até amarelos, todos os instantes desta cidade no ecrã surgem repletos de luz e energia, estando dotados de uma saturação poderosa. As vibrantes imagens saltam do ecrã. 

Em momentos com uma maior ausência de luz, como as ações decorridas na Caverna das Maravilhas, também não conseguimos detetar qualquer tipo de ruído de maior. Os negros surgem pronunciados, contrastando, sem qualquer problema, com os pequenos pontos de cor que vão surgindo. Isso torna-se, especialmente, evidente quando o Génio de Will Smith surge no ecrã e o seu “natural” tom azul passa a ser o nosso ponto de destaque. 

A menção ao Génio, será também um ótimo momento para demostrar a facilidade, com os elementos reais do filme, se integram com os digitais. Acima de tudo, a forma como esta transferência os replica. Existirão pequenos apontamentos decorridos no interior do palácio, onde o contraste com o cenário real e o “backgroud” digital se torna mais evidente, mas o mesmo constitui uma parte minima do filme. Assim, o detalhe desta transferência é forte. Em adição, a complexidade do guarda-roupa é notável com esta transferência, assim como qualquer detalhe fisico das personagens. 


Som (3/5)

Em oposição à sua imagem, a Disney continua a limitar a faixa sonora dos seus discos Blu-ray. Para conseguir aproveitar, em plenitude, toda a potencialidade do DTS-HD Master Audio 7.1. incluido, um significativo aumento de volume precisa de acontecer. Contudo, ao fazê-lo perdemos o correto balanceamento existente, por definição, entre diálogo e banda sonora. Para o primeiro se tornar “audível”, o último torna-se, excessivamente, alto e vice-versa. Uma pequena falha que temos detetado nos mais recentes lançamentos da Disney e que o estúdio não demonstra qualquer preocupação em corrigir. 

Mas ultrapassando este pequeno defeito, não existirá nada de maior a apontar à faixa, que nos surpreende nos seus momentos iniciais, com a abertura de Arabian Nights. A viagem pelas ruas de Agrabah emite diversos sons pelos vários canais de audio existentes, criando uma verdadeira experiência imersiva. Uma (muito ligeira) nova mistura da música Arabian Nights, impulsionado a sua intensidade, cria uma experiência notória, colocando-nos, desde o primeiro momento, no centro deste universo. 

Este momento inicial será, talvez, a altura em que a faixa atinge o seu auge. O que é ótimo para uma imediata introdução no universo de Aladdin, mas que “destrói” as nossas expectativas para o que se segue. Esperamos sempre algo ainda melhor, mas nada supera este momento. 

Contudo, o restante também não desaponta. Em cenas de maior ação, sons são projetados pelos vários canais, criando a experiência de imersão desejada. O diálogo é sempre claro e a banda sonora, quando surge, complementa a cena, não se tentando sobrepor a nenhum dos restantes elementos. É óbvio que em claros momentos musicais, onde são as nossas personagens quem canta, a música domina. Mas, sempre atenta a tudo aquilo que a rodeia. Acima de tudo, tentou-se criar uma experiência sonora mais completa e essa intenção transparece neste disco Blu-ray. 


Materiais de Bónus (1/5)

Se no passado a adição de matérias de bónus se mostrava como uma dos principais diferenciadores entre qualquer lançamento, atualmente, esperamos apenas que algo seja incluido em cada nova edição. A verdade é que os extras são uma especialidade cada vez mais rara. O pouco que chega é cada vez mais pautado por uma qualidade duvidosa. A Disney será, talvez, o melhor exemplo disso. 

Até ao momento, à exceção dos lançamentos de Star Wars, o estúdio tem vindo a diminuir a quantidade mas, acima de tudo, a qualidade daquilo que inclui nos seus discos Blu-ray. Com Aladdin, este conceito é levado ao extremo, o que representou uma edição Blu-ray desprovida de qualquer material de bónus digno. Poderemos mesmo afirmar que se a Disney optasse por omitir, por completo, aquilo que colocou neste disco, não notaríamos qualquer diferença. 

– Aladdin’s Video Journey: A New Fantastic Point Of View (10.39): não sei se todos se recordarão, mas durante a rodagem de Aladdin, diversos vídeos foram libertados nas redes sociais do filme, dando inicio à sua campanha de marketing. Nestes pequenos excertos, víamos o ator Menna Massoud a documentar pequenos momentos de bastidores, recorrendo, supostamente, a um telemóvel. Este era o conceito para toda esta campanha. Mena ia captando os bastidores do filme, ao mesmo que “esbarrava” com colegas do elenco. Ora, na divulgação desta campanha, muitas das imagens captadas nunca chegaram ao público. Mas, agora, a Disney atendeu a todos os pedidos por mais (se é que existia algum). Numa nova edição, compilaram todos esses momentos num só vídeo, entregando aquilo que mais se assemelha a um making of. Mas, infelizmente, nunca chega a ser um…

– Deleted Song: Desert Moon (02:20): apenas as imagens de um momento musical cortado da versão final do filme, com uma pequena introdução por parte de Alan Menken. 

– Guy Ritchie: A Cinematic Genie (05:28): apesar de se ter mostrado mais contido em Aladdin – talvez por imposições da própria Disney – existiram pequenos momentos em que, aquilo que caracteriza a cinematografia de Guy Ritchie ,esteve presente. Essencialmente, focado no segmento musical de “One Jump Ahead”, este momento torna-se, assim, o principal objecto de análise deste pequeno featurette. Existem pequenas intervenções mais generalistas de membros do elenco e da equipa técnica, sobre Guy Ritchie, mas muito contidas.   

– A Friend Like Genie (04:31): a Disney não se esqueceu que todos estavam reticentes sobre a adição de Will Smith, como o Génio de Aladdin. Na verdade, Will acabou por se revelar como uma das melhores parte de Aladdin e o estúdio quis justificar o porquê. 

– Deleted Scenes: pequenas extensões de cenas já presentes no filme, que não adicionam nada de movo ao produto final. Percebemos o corte destas cenas do filme. Inclui: Falling Petals Into OJ (01:12); Jafar’s Magic Orrery (00:48); Ander’s Gift (03:17); Wrong Wishes (00:54); Silly Old Fool (02:38) e Post Yam Jam Debrief (01:53)

– Music Videos: Inclui: Speechless by Naomi Scott (03:27)A Whole New World by ZAYN & Zhavia Ward (04:03)A Whole New World (Un Mundo Ideal) by ZAYN & Becky G (04:03).

– Bloopers (02:07)


Veredicto Final (3.5/4)

Foi complicado chegar a uma decisão final para a edição Steelbook de Aladdin. Se a sua apresentação surpreende, os seus materiais de bónus desiludem. Mas, no final, o filme acaba por ser sempre um dos fatores centrais para a aquisição de qualquer nova edição. Com isto em mente, não podemos deixar de não recomendar este Steelbook. Ignorando parte do seu conteúdo (e falta dele) este torna-se-á, facilmente, num dos mais belos exemplos metálicos do ano. E, se na qualidade dos materiais de bónus não podemos mexer, apenas gostaríamos de ver a adição de outros discos, com outros formatos, à edição.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s